RN SEGUE ABAIXO DA META DE VACINAÇÃO CONTRA O SARAMPO


O Rio Grande do Norte ainda não atingiu a meta de 95% de cobertura vacinal contra o sarampo estabelecida pelo Ministério da Saúde. Atualmente, a primeira dose da vacina tríplice viral alcança 88,41% das crianças e a segunda, 69,83%. Embora o estado não registre casos suspeitos nem circulação do vírus, a baixa cobertura vacinal mantém o alerta para o risco de casos importados.


Segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap), os números mostram que, embora a cobertura da primeira dose esteja próxima da meta, ainda há um contingente significativo de crianças com o esquema vacinal incompleto. “Ainda há um número importante de crianças sem a vacinação completa, especialmente em relação à segunda dose”, informou a Sesap. Atualmente, não há nenhum caso suspeito da doença no estado.

A secretaria ressalta que ampliar a cobertura vacinal nos municípios é fundamental para reduzir o risco de reintrodução da doença. “A elevada cobertura com as duas doses é fundamental para manter o estado protegido contra a reintrodução do sarampo”, destacou a pasta.

Em Natal, o cenário é ainda mais preocupante. Na capital, a cobertura da primeira dose da tríplice viral é de 81,82%, enquanto a segunda alcança apenas 63,79%.

A Secretaria Municipal de Saúde (SMS) reforçou que a vacinação contra o sarampo é realizada por meio da vacina tríplice viral, disponível nas unidades de saúde para a população conforme o calendário vacinal.

De acordo com a pasta, pessoas de 12 meses a 29 anos devem receber duas doses do imunizante ao longo da vida, enquanto aquelas de 30 a 59 anos devem tomar uma dose. A vacina é contraindicada durante a gestação.

Mesmo com a recomendação para manter a vacinação em dia, a Tribuna do Norte apurou que a procura pelo imunizante contra o sarampo nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) da capital diminuiu nos últimos meses. Segundo profissionais das unidades, muitos pacientes desconhecem a importância da vacinação e deixam de atualizar o esquema vacinal.

Para aumentar a cobertura vacinal, a secretaria afirmou que mantém uma campanha permanente contra o sarampo. Segundo a SMS, as ações incluem “a busca ativa nas escolas e o microplanejamento dos serviços de saúde”, com o objetivo de ampliar o acesso à vacinação.

A Secretaria de Saúde também reconheceu a preocupação com a possibilidade de casos importados chegarem à capital. “Existe, sim, a preocupação da pasta sobre casos chegarem à capital, principalmente pela baixa cobertura contra a doença, que pode pôr em risco toda a população”, informou Veruska Ramos, chefe do Núcleo de Agravos Imunopreveníveis (NAI).

A pediatra da Maternidade Escola Januário Cicco (MEJC) Camila Macedo ressalta que o alerta do sarampo também se estende ao Rio Grande do Norte, por ser um estado que recebe turistas e voos internacionais, o que aumenta o risco de entrada de casos importados. “É uma doença altamente contagiosa e que se espalha facilmente. Uma pessoa infectada, ela espalha muito rapidamente pras outras pessoas”, explica.

A pediatra afirma que o sarampo costuma se manifestar entre oito e doze dias após o contato com o vírus. Os primeiros sinais incluem febre alta, dor de garganta, tosse seca, coriza, cansaço e dores musculares. Um dos indícios mais característicos são as manchas esbranquiçadas na parte interna das bochechas, conhecidas como manchas de Koplik.

Após três a cinco dias do início dos sintomas, surgem manchas vermelhas na pele, inicialmente no rosto e atrás das orelhas, que depois se espalham pelo restante do corpo.

Dose zero


A chamada “dose zero” consiste em uma dose extra da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola. Ela é recomendada para bebês de 6 meses a 11 meses e 29 dias como uma medida adicional de proteção, sem substituir as duas doses previstas no calendário nacional de vacinação, aplicadas a partir dos 12 meses de idade.

A recomendação para reforçar a aplicação da “dose zero” foi feita pelo Ministério da Saúde após a confirmação de três casos de sarampo em crianças na Grande São Paulo. No RN, no entanto, a “dose zero” não está sendo ofertada por não haver circulação do vírus no estado.