DIA DE FINADOS: CINCO ATITUDES PODEM AJUDAR A ATRAVESSAR O LUTO


Celebrado em 2 de novembro, o Dia de Finados é marcado por visitas a cemitérios, orações e homenagens às pessoas que morreram. A data também pode intensificar sentimentos relacionados à perda e provocar mudanças na rotina e na saúde emocional de quem está vivenciando o luto.

Tristeza, saudade, sensação de vazio e dificuldade para retomar atividades estão entre as reações que podem surgir nesse período. Respeitar o próprio tempo, preservar uma rede de apoio e encontrar formas de manter boas lembranças são atitudes importantes durante o processo, segundo a psiquiatra Elaine Bida explicou em entrevista para CNN Brasil.

A especialista ressalta que sentir saudade não impede a continuidade da vida. “Podemos sentir falta de alguém e, ainda assim, encontrar motivos para sorrir, fazer planos e viver novas experiências. Seguir em frente não significa esquecer. É reconhecer que aquela pessoa continua tendo um lugar importante na nossa história, mesmo que não esteja mais fisicamente presente”, afirma.
O luto tem prazo?

De acordo com Elaine Bida, não existe uma fórmula ou um período determinado para superar uma perda. Cada pessoa reage de maneira diferente, e as emoções que surgem durante esse processo precisam ser acolhidas.

“O luto não precisa ser vivido de uma maneira específica. Algumas pessoas sentem vontade de conversar sobre quem partiu, outras preferem ficar mais reservadas. Há dias em que a saudade aparece com mais intensidade e outros em que conseguimos nos lembrar de momentos felizes. É importante respeitar essas oscilações e não transformar a recuperação em uma cobrança”, explica.
Cinco passos para lidar com o luto

De acordo com a reportagem, o primeiro passo é permitir-se sentir saudade. Para a psiquiatra, esconder a tristeza ou evitar lembranças pode dificultar o processo. Chorar, falar sobre quem morreu e reconhecer a falta que a pessoa faz são reações naturais. A orientação é não se cobrar pela maneira como as emoções são expressas.

A segunda recomendação é preservar as boas lembranças. Fotografias, músicas, histórias e tradições familiares podem ajudar a manter viva a memória de quem partiu. Segundo Elaine, homenagear a pessoa também permite valorizar os ensinamentos e as experiências compartilhadas.

O terceiro ponto é manter o contato com a rede de apoio. Mesmo quando há vontade de isolamento, conversar com pessoas de confiança, aceitar convites ou simplesmente contar com a companhia de familiares e amigos pode ajudar a enfrentar os momentos difíceis. A especialista destaca que esse acolhimento deve ocorrer sem cobranças para que a pessoa supere rapidamente a perda.

A quarta orientação é retomar gradualmente a rotina. Voltar ao trabalho, encontrar amigos, praticar atividades físicas e recuperar pequenos hábitos pode contribuir para reorganizar a vida. Isso não significa deixar de sentir saudade, mas encontrar formas de seguir em frente respeitando os próprios limites e sem comparar a experiência com a de outras pessoas.

Por fim, a psiquiatra recomenda buscar ajuda profissional quando o sofrimento começa a comprometer as atividades cotidianas. Embora não exista um prazo fixo para o luto, isolamento intenso, perda de interesse por atividades, dificuldade de retomar a rotina e sofrimento incapacitante podem indicar a necessidade de acompanhamento.

“Sentir saudade por muito tempo não significa necessariamente que exista um problema de saúde mental. O que precisa ser observado é o impacto desse sofrimento na vida da pessoa. Quando ela não consegue encontrar maneiras de seguir com suas atividades e sente que está paralisada pela perda, o acompanhamento profissional pode ser necessário”, conclui Elaine Bida.