NÚMERO DE ACIDENTES DE MOTO BATE RECORDE EM JULHO


O Hospital Monsenhor Walfredo Gurgel, em Natal, registrou 860 atendimentos a vítimas de acidentes de moto em julho deste ano, número que se apresenta como o maior da série histórica e supera em 13,1% o recorde anterior, contabilizado no mesmo período de 2023 (com 760 atendimentos, 100 a menos). Se comparado a julho de 2022, com 616 atendimentos, o aumento é ainda mais expressivo, de 39,6%. Os dados são da Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) e indicam que, ao longo de todo o mês passado, uma média de 27,7 pessoas foram atendidas por dia na unidade.


Segundo a pasta, esta foi a primeira vez também que o hospital, principal porta de urgência e emergência na Região Metropolitana, viu o quantitativo de acidentados por motocicleta cruzar os 770 em um único mês. Entre fevereiro e julho de 2024, foram 4.532 atendimentos a pessoas que sofreram acidentes envolvendo este tipo de veículo. A Sesap informou que o banco de dados da pasta passou por problemas de apuração e, portanto, não constam dados sobre os atendimentos em janeiro.

No ano passado, entre janeiro e julho, foram 4.787 atendimentos a acidentados por moto no Walfredo Gurgel. O diretor geral do hospital, Geraldo Neto, explicou que a grande maioria das vítimas que chegam à unidade é formada por homens jovens, com idades entre 20 e 35 anos. Ele diz que, embora nos números gerais a Grande Natal tenha sido a principal região com maior número de vítimas, houve uma pequena oscilação para baixo dos índices se comparados a outros períodos na capital e nos municípios do entorno, ao passo que os pacientes que chegam do interior, tiveram pequena elevação.

“São variados fatores para isso, mas acredito que as movimentações políticas que já começaram, aliadas ao descumprimento de regras como o uso de capacete e ingestão de bebida alcoólica, podem ter influenciado nessa pequena alteração”, pontua o diretor. De acordo com a Sesap, dos atendimentos registrados no hospital em julho passado, 332 (13,6%) eram pacientes da capital. O dia com mais atendidos foi 28, um domingo, quando 42 vítimas de acidentes de moto deram entrada no pronto-socorro Clóvis Sarinho.

Se comparado a junho – o mês anterior – com 757 pessoas atendidas por queda de moto no hospital, os números de julho representam uma alta de 13,6%. Janielson de Souza, de São Bento, no interior do Estado, endossa as estatísticas divulgadas pela Sesap. No mês passado ele ficou 15 dias internado no Walfredo após cair de motocicleta na cidade onde mora. Com apoio de muletas, ele caminha com dificuldade enquanto se recupera de uma cirurgia no joelho após o acidente.

“Quebrei o joelho e machuquei a clavícula. Passei uns 15 dias aqui e depois fui transferido para a clínica Paulo Gurgel, onde fiz a cirurgia no joelho. Hoje vim pegar uma documentação no Walfredo para ir para a revisão lá na Paulo Gurgel. Felizmente, na medida do possível, estou me recuperando bem”, contou o motorista de 28 anos, na manhã desta segunda-feira (12).

O aumento do número de atendimentos não se restringiu, contudo, a vítimas de acidentes por motocicleta em julho. No total, a porta de urgência do Clóvis Sarinho recebeu 6.484 pessoas, o maior do ano, representando um aumento nominal de 621 atendimentos e de 10,5% na demanda total. O maior número do ano até então tinha sido em março, com 6.049 atendimentos no pronto-socorro.

Entre as mais de seis mil pessoas atendidas, 1.444 delas ficaram internadas no hospital. Em ortopedia, o aumento foi de 10,3%, passando de 1.521 casos em junho para 1.678 em julho. Já os casos suspeitos de acidente vascular cerebral subiram 27,8% em um mês, saindo de 355 em junho para 454 no mês seguinte. Para o diretor da unidade, a alta demanda segue sendo o maior desafio para o atendimento dos pacientes que chegam ao hospital.

Nesta segunda, pela manhã, 26 pessoas estavam no corredor do hospital, segundo Geraldo Neto. A reportagem não teve autorização para ir ao local. O diretor diz que medidas têm sido implantadas para melhorar a assistência. “Estamos com três reformas no Walfredo, duas buscando melhorar o ambiente e uma para ampliar a capacidade instalada, que é o Centro Cirúrgico, com mais duas salas para cirurgia e uma enfermaria de trauma. Ainda não existe previsão para a conclusão do centro, mas eu arriscaria a dizer que os serviços levarão cerca de um ano e meio. Acreditamos que isso vai melhorar muito nossa capacidade de resposta”, informou Geraldo Neto.