DESVIOS DO INSS, O TRIUNFO DA IMPUNIDADE
É impossível manter a serenidade diante do desfecho vergonhoso da CPMI do INSS. O que o Brasil testemunhou na madrugada de sábado passado foi o encerramento de uma investigação que, embora tenha exposto as vísceras de um esquema criminoso, terminou servindo uma “pizza” indigesta no balcão da impunidade. Estamos falando de um rombo estimado em quase R$ 10 bilhões, drenados diretamente dos bolsos de quem já vive no limite: aposentados, pensionistas e beneficiários do BPC.
A investigação revelou uma arquitetura de “pirataria administrativa” onde sindicatos e associações invadiram o sistema previdenciário para realizar descontos indevidos de mensalidades sem qualquer autorização daqueles que foram “assaltados”. Entre as entidades que se tornaram símbolos desse abuso, destaca-se a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura (CBPA), presidida pelo norte-rio-grandense Abraão Lincoln.
Investigado na “Operação Sem Desconto”, Abraão Lincoln foi confrontado na CPMI sobre como sua entidade saltou para uma arrecadação astronômica de mais de R$ 220 milhões em apenas dois anos. O silêncio do dirigente diante dos parlamentares, amparado por decisões judiciais, ecoou como um tapa na cara do trabalhador. Outro foco de revolta é o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados), entidade onde o poder e o parentesco se misturam de forma perigosa.
A revolta ganha contornos de indignação institucional quando percebemos por que a prorrogação da CPMI foi barrada por Davi Alcolumbre. As investigações começaram a “queimar” muito perto do centro do poder. O relatório final — rejeitado por uma articulação feroz da esquerda e do Centrão — pedia o indiciamento de Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, filho do presidente, por suspeitas de recebimento de vantagens indevidas e conexões com o operador “Careca do INSS”.Não ficou por aí. O nome de Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindnapi, também orbitou as suspeitas, embora tenha sido blindado de convocações pela base governista. Quando nomes tão próximos ao Palácio do Planalto e parlamentares de diversos partidos aparecem no radar, o “instinto de sobrevivência” política fala mais alto que o dever moral de punir quem rouba idosos.
O resultado dessa CPMI é um insulto. Enquanto 19 parlamentares ligados a partidos da esquerda e do Centrão votaram contra o relatório que pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas, o Brasil assistia ao sepultamento político de uma investigação que tinha provas, documentos e nomes. O placar de 19 a 12 a favor do arquivamento não foi uma decisão técnica, foi um ato de autoproteção de uma elite política que se recusa a prestar contas.
Agora, resta aos brasileiros a última esperança: o Supremo Tribunal Federal (STF). Se o Congresso Nacional se acovardou diante de sobrenomes de peso e interesses do Centrão, cabe à nossa Suprema Corte garantir que o destino desses quase R$ 10 bilhões não seja o esquecimento.
A “roubalheira” não pode ser institucionalizada. O povo potiguar e o cidadão brasileiro exigem que a justiça não seja, também ela, servida em fatias para os amigos do rei.
A investigação revelou uma arquitetura de “pirataria administrativa” onde sindicatos e associações invadiram o sistema previdenciário para realizar descontos indevidos de mensalidades sem qualquer autorização daqueles que foram “assaltados”. Entre as entidades que se tornaram símbolos desse abuso, destaca-se a Confederação Brasileira dos Trabalhadores da Pesca e da Aquicultura (CBPA), presidida pelo norte-rio-grandense Abraão Lincoln.
Investigado na “Operação Sem Desconto”, Abraão Lincoln foi confrontado na CPMI sobre como sua entidade saltou para uma arrecadação astronômica de mais de R$ 220 milhões em apenas dois anos. O silêncio do dirigente diante dos parlamentares, amparado por decisões judiciais, ecoou como um tapa na cara do trabalhador. Outro foco de revolta é o Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados), entidade onde o poder e o parentesco se misturam de forma perigosa.
A revolta ganha contornos de indignação institucional quando percebemos por que a prorrogação da CPMI foi barrada por Davi Alcolumbre. As investigações começaram a “queimar” muito perto do centro do poder. O relatório final — rejeitado por uma articulação feroz da esquerda e do Centrão — pedia o indiciamento de Fábio Luiz da Silva, o Lulinha, filho do presidente, por suspeitas de recebimento de vantagens indevidas e conexões com o operador “Careca do INSS”.Não ficou por aí. O nome de Frei Chico, irmão do presidente Lula e vice-presidente do Sindnapi, também orbitou as suspeitas, embora tenha sido blindado de convocações pela base governista. Quando nomes tão próximos ao Palácio do Planalto e parlamentares de diversos partidos aparecem no radar, o “instinto de sobrevivência” política fala mais alto que o dever moral de punir quem rouba idosos.
O resultado dessa CPMI é um insulto. Enquanto 19 parlamentares ligados a partidos da esquerda e do Centrão votaram contra o relatório que pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas, o Brasil assistia ao sepultamento político de uma investigação que tinha provas, documentos e nomes. O placar de 19 a 12 a favor do arquivamento não foi uma decisão técnica, foi um ato de autoproteção de uma elite política que se recusa a prestar contas.
Agora, resta aos brasileiros a última esperança: o Supremo Tribunal Federal (STF). Se o Congresso Nacional se acovardou diante de sobrenomes de peso e interesses do Centrão, cabe à nossa Suprema Corte garantir que o destino desses quase R$ 10 bilhões não seja o esquecimento.
A “roubalheira” não pode ser institucionalizada. O povo potiguar e o cidadão brasileiro exigem que a justiça não seja, também ela, servida em fatias para os amigos do rei.
Por Bosco Afonso
