EMPRESÁRIO APOIADOR DE FLÁVIO BOLSONARO DEFENDE CORTES EM APOSENTADORIAS E SALÁRIOS DE SERVIDORES


O empresário Walter Maciel, CEO da gestora de investimentos AZ Quest e apoiador declarado de Flávio Bolsonaro (PL), defende que um eventual governo do senador priorize cortes de gastos com aposentadorias, servidores públicos e benefícios do Judiciário. As declarações foram dadas em entrevista à Folha de S.Paulo.

Maciel, que tem participado de vídeos nas redes sociais em apoio à candidatura de Flávio, considera que o ajuste fiscal deve ser a principal prioridade de um eventual governo do PL. Para ele, medidas envolvendo emendas parlamentares e renúncias fiscais deveriam ficar para um segundo momento, apesar de reconhecer a importância de enfrentar essas despesas.

“Eticamente, do ponto de vista do que é correto, a primeira coisa é pensar nas emendas, o que era antigamente chamado de orçamento secreto e virou emenda Pix. Mas isso tudo vai dar R$ 60 bilhões. O maior gasto que temos hoje não é esse”, afirmou.

Uma das principais propostas defendidas pelo empresário é a desvinculação dos benefícios previdenciários do salário mínimo. Atualmente, aposentadorias e pensões que correspondem ao piso previdenciário acompanham os reajustes do mínimo, que considera a inflação e, dentro das regras vigentes, o crescimento econômico.

Na avaliação de Maciel, os aposentados deveriam receber apenas a correção inflacionária, sem participar dos ganhos reais concedidos aos trabalhadores que recebem o salário mínimo.

“Não existe o aposentado receber o crescimento futuro mais inflação. O cara participou do crescimento passado. Você tem que protegê-lo da perda real. A inflação tem que ser corrigida”, declarou.

Segundo seus cálculos, a desvinculação da Previdência e de outros benefícios do salário mínimo poderia gerar uma economia de R$ 1,2 trilhão. A estimativa, entretanto, é apresentada pelo próprio empresário, sem detalhamento metodológico nas informações divulgadas.

A proposta significaria o fim da garantia de que os benefícios previdenciários vinculados ao piso acompanhem eventuais aumentos reais do salário mínimo. Embora a correção pela inflação preservasse o poder de compra, os beneficiários deixariam de receber automaticamente os ganhos adicionais concedidos ao piso nacional.
 
Flávio Bolsonaro promete reajustes acima da inflação

Apesar das propostas defendidas por seu apoiador, Flávio Bolsonaro apresentou publicamente uma posição diferente sobre o reajuste das aposentadorias.

Na quinta-feira (8), o candidato do PL afirmou a jornalistas que, caso seja eleito presidente, pretende conceder reajustes acima da inflação aos aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

“Eu não vou fazer economia em cima de quem precisa, das pessoas mais carentes desse Brasil. Aposentado, fique tranquilo, não caia nessa fake news do PT dizendo que eu vou acabar com o reajuste da aposentadoria”, declarou.

Maciel afirma manter contato com integrantes da campanha de Flávio, incluindo Adolfo Sachsida e Daniella Marques. O empresário também relatou que seu nome chegou a aparecer em especulações sobre possíveis ministros de um eventual governo, mas negou que exista uma indicação.

As declarações do executivo, portanto, representam propostas defendidas por um apoiador do candidato, e não medidas oficialmente anunciadas pela campanha presidencial.
 
Empresário também quer reduzir salários de entrada dos servidores

Além das mudanças na Previdência, Maciel defende uma reforma administrativa para reduzir os salários iniciais do funcionalismo público e limitar a progressão das carreiras.

Na avaliação do empresário, o governo deveria adotar mecanismos de remuneração associados à produtividade, além de combater os chamados penduricalhos do Judiciário, benefícios adicionais que podem elevar a remuneração de magistrados e outros integrantes do sistema de Justiça.

“Tem que fazer uma reforma administrativa de verdade, tem que diminuir o salário de entrada, tem que controlar crescimento de carreira. Aí vai ganhando bônus por produtividade. Tem que tirar os penduricalhos do Judiciário, que são enormes”, afirmou.

O executivo também considera que o próximo presidente deveria evitar confrontos imediatos com setores beneficiados por incentivos fiscais. Como exemplo, citou a Zona Franca de Manaus, sugerindo que uma eventual revisão desses benefícios seja discutida apenas quando o governo estiver politicamente fortalecido.

“Vai brigar no dia 1 para acabar com a Zona Franca de Manaus? Vai arrumar uma quizumba? Deixa isso para quando estiver mais popular”, disse.

Maciel estima que o desequilíbrio fiscal brasileiro corresponda a aproximadamente 4% do Produto Interno Bruto (PIB). Para ele, seria inviável realizar todo esse ajuste no primeiro ano, mas um corte inicial equivalente a 1% do PIB poderia sinalizar ao mercado financeiro o compromisso do governo com a redução das despesas.
Apoiador recomenda evitar confronto imediato com o STF

Na entrevista, o empresário também aconselhou que Flávio Bolsonaro evite abrir diversas frentes de conflito político simultaneamente, especialmente com o Supremo Tribunal Federal (STF).

Uma das principais promessas de campanha do senador é conceder indulto ao pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), condenado a 27 anos e três meses de prisão por tentativa de golpe de Estado e outros crimes relacionados à trama golpista após as eleições de 2022.

Embora considere importante a situação judicial do ex-presidente, Maciel entende que o ajuste fiscal deveria receber prioridade em um eventual governo.

“Eu sei que temos esses problemas, mas se você quiser brigar pela liberdade do Jair Bolsonaro, que eu acho que é um tema importante, claro que é para eles, impedir ministro do Supremo, fazer o ajuste fiscal, é muita coisa”, afirmou.

O empresário argumenta que a adoção inicial de medidas econômicas poderia fortalecer politicamente o presidente para enfrentar outras disputas posteriormente.

Maciel também comentou o áudio em que Flávio Bolsonaro pediu recursos ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. O executivo classificou o episódio como “feio” e “impróprio”, mas questionou a quem interessaria sua divulgação.

Apesar das controvérsias, o gestor demonstrou otimismo com a possibilidade de um governo do PL. Segundo ele, um ajuste fiscal poderia contribuir para a redução dos juros, a valorização do real e a ampliação dos investimentos.

“Você só viu o trailer. O filme nem começou. Se começa a ter um ajuste fiscal de verdade, os juros realmente começam a baixar e o real, a se valorizar”, declarou.