GUAMARÉ LADEIRA ABAIXO: PARALISAÇÃO EXPÕE MAIS UM MÊS SEM PAGAMENTO AOS GARIS


 
Mais um mês, mais uma paralisação. Um vídeo publicado nas redes sociais na quinta-feira (10/09), com repost atribuído ao Sindicato dos Trabalhadores em Limpeza Urbana do Rio Grande do Norte (SINDLIMP-RN) e identificado com a etiqueta “PARALISAÇÃO”, mostra dezenas de garis de Guamaré e do distrito de Baixa do Meio reunidos em frente à sede da empresa terceirizada responsável pelo serviço de limpeza urbana.

Uniformizados, os trabalhadores aparecem empunhando uma faixa com os dizeres “Aprovação já do fim da escala 6×1” e “Aprovação já PL 4146/2020” — pautas que dialogam com a discussão nacional sobre redução de jornada — e, em determinado trecho das imagens, erguem os punhos em uníssono, num gesto claro de protesto e indignação coletiva.

Uma crise que se repete

De acordo com a legenda que acompanha a publicação, de autoria do perfil diegodelisete, a situação não é um episódio isolado, mas um padrão que se repete mensalmente: a Prefeitura de Guamaré estaria em atraso com os pagamentos devidos à empresa contratada para os serviços de limpeza, e a empresa, por sua vez, repassaria o atraso aos trabalhadores. Segundo o texto, já seriam cinco meses de pendências entre o município e a contratada, com os garis ainda aguardando o salário referente ao mês de agosto. “O caos está instalado na gestão pública de Guamaré”, resume a publicação, que pede “misericórdia” para o povo e a cidade diante do cenário.

O post, que já reúne muitas curtidas, dezenas de comentários e compartilhamentos, tornou-se um retrato simbólico do momento vivido pela administração municipal: uma cidade que depende do trabalho diário de garis, motoristas e demais servidores da limpeza urbana, mas que parece incapaz de garantir o básico — o pagamento em dia de quem sustenta esse serviço essencial.

A cobrança direta ao prefeito

A repercussão nos comentários reforça o tom de indignação. Em comentário, Irmão Nildo cobra diretamente o chefe do Executivo municipal: “Prefeito, pague os agentes de limpeza! Eles trabalham no sol e na chuva para manter Guamaré limpa e estão sem receber. Não é favor, é direito de quem trabalha.” Outros seguidores, entre eles nomes ligados à política local, também reagiram à publicação, o que sinaliza que o desconforto com os atrasos extrapola as redes sociais e já reverbera entre lideranças da região.

Sintoma de um problema maior

Trabalhadores sem salário, serviços públicos em risco de paralisação e uma gestão que, segundo as críticas que se acumulam nas redes sociais, parece cada vez mais distante de dar respostas à população. O episódio se soma a um cenário de desgaste crescente da imagem da Prefeitura de Guamaré, marcado por questionamentos recorrentes sobre a condução da máquina pública — da execução de contratos à gestão fiscal — e reforça a percepção, compartilhada por parte da população local, de que o município atravessa um momento de deterioração administrativa.

Não é a primeira vez que a relação entre o poder público municipal e prestadores de serviço essenciais é colocada sob suspeita. E, enquanto a explicação oficial não chega, quem paga a conta — literalmente — é o trabalhador que varre a rua, recolhe o lixo e mantém a cidade limpa, muitas vezes sem saber quando (ou se) vai receber pelo trabalho já realizado.

O espaço está aberto

Até o fechamento desta nota, não há manifestação pública da Prefeitura de Guamaré, da empresa terceirizada ou do SINDLIMP-RN sobre os detalhes dos atrasos relatados. O espaço permanece aberto para que todas as partes se pronunciem sobre a situação e sobre as medidas que pretendem adotar para regularizar os pagamentos e evitar a repetição do episódio nos próximos meses.
 
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