RN: INDÚSTRIA ADOTA CAUTELA APÓS 2025 EM BAIXA


A indústria do Rio Grande do Norte fechou 2025 com um dos piores desempenhos do país e iniciou 2026 sob um ambiente de cautela, marcado por desaceleração econômica, baixa confiança empresarial e expectativa de crescimento modesto. A avaliação é do Observatório da Indústria Mais RN, da Federação das Indústrias do Estado do Rio Grande do Norte (Fiern), a partir dos dados mais recentes da produção industrial divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Segundo a Pesquisa Industrial Mensal – Produção Física (PIM-PF), a indústria potiguar acumulou retração de 11,6% entre janeiro e dezembro de 2025, em relação ao mesmo período de 2024, resultado que colocou o estado como o segundo pior desempenho do Brasil, atrás apenas do Mato Grosso do Sul (-12,9%). O contraste é ainda maior quando comparado ao ano anterior, quando o setor havia registrado crescimento de 7,4%.

Na leitura da Fiern, o resultado reflete um cenário mais amplo de perda de dinamismo da economia. “Os indicadores publicados ao final de 2025 indicam certa desaceleração econômica, nacional e regional”, aponta o Observatório da Indústria. Esse movimento também impactou o mercado de trabalho: no Rio Grande do Norte, o saldo de novos empregos formais foi 53% menor que em 2024, enquanto, na indústria — incluindo a construção civil —, a redução chegou a 52%.

O desempenho negativo do estado ocorre em um contexto de estagnação da indústria brasileira. Em 2025, a produção industrial nacional variou apenas 0,6%, sinalizando estabilidade, enquanto o Nordeste registrou recuo de 0,8%. “Portanto, era esperado que o RN apresentasse, também, indicadores menos otimistas, revelando um recuo de -11,6%, impactado diretamente pelo Petróleo e gás”, avalia a Fiern.

Os dados do IBGE mostram que o principal fator de pressão sobre o resultado potiguar foi a fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, que acumulou queda de 23,2% em 2025. Esse desempenho negativo foi determinante para o resultado global da indústria no estado, mesmo com avanços em outros segmentos.

No acumulado do ano, as indústrias extrativistas cresceram 12,3%, a fabricação de produtos alimentícios avançou 5,9%, e o segmento de confecção de artigos do vestuário e acessórios registrou expansão expressiva de 46,2%. Em dezembro, na comparação com o mesmo mês de 2024, esses setores também apresentaram crescimento, com destaque para as confecções, que tiveram alta de 108%. Ainda assim, a queda de 22,7% no setor de derivados do petróleo levou a produção industrial geral do estado a recuar 9,2% no mês.

Para 2026, a Fiern projeta um cenário de estabilidade, sem expectativa de retomada acelerada. “Diante desse quadro, e acompanhando as expectativas do mercado nacional para um crescimento do PIB próximo de 1,80%; no Nordeste de 1,30% e, no Rio Grande do Norte de apenas 1,1%; espera-se um ano de maior estabilidade e sem grandes crescimentos”, afirma o Observatório da Indústria Mais RN.

O pessimismo do empresariado também aparece nos indicadores de confiança. “Esta expectativa vem corroborada pelos indicadores recentes do ICEI Nacional e Potiguar, que apontam, ambos, para pessimismo, valores abaixo de 50 pontos, em relação às condições atuais”, destaca a Fiern.

Ao analisar as causas da retração, a federação pondera que parte das dificuldades está ligada à estrutura econômica do estado. “O Rio Grande do Norte tem uma economia fortemente dependente de circunstâncias externas, dinâmicas nacionais, de forma que essa dificuldade ora sentida é, em grande medida, desdobramentos de desafios nacionais”, avalia.

Ainda assim, a Fiern defende uma agenda de medidas para criar condições de retomada. “Em âmbito externo ao RN, a redução da taxa Selic tem grande influência para viabilizar a capacidade de retomada dos investimentos privados”, aponta a entidade.

No plano local, a federação destaca a necessidade de ações estruturantes: “Há uma agenda local que deve ser posta em campo a fim de aumentar a segurança jurídica e a qualificação do ambiente de negócios potiguar, como a revisão da Lei Ambiental do Estado (272/2004), a fim de garantir ainda mais eficiência ao processo de licenciamento ambiental; e ainda a aprovação da Política Industrial Potiguar”.