CAMINHONEIROS DO RN LEVAM CAIXÃO A SINDICATO PATRONAL EM PROTESTO POR REAJUSTE SALARIAL


Mobilizados pelo Sindicato dos Trabalhadores Rodoviários de Cargas do Estado do Rio Grande do Norte (Sintrocern), caminhoneiros levaram à sede do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística do Estado do RN (Setcern), no bairro do Alecrim, em Natal, um caixão, como forma de pressionar a classe patronal pelas negociações por recomposição salarial. Os profissionais iniciaram uma greve por tempo indeterminado na manhã desta segunda-feira (25).

"As ações e a greve vão seguir até que haja boa vontade da classe patronal de nos receber para negociar", disse Edson Negrão, presidente do Sintrocern. O movimento paradista começou no início da manhã de hoje com um ato na BR-101, em Parnamirim, que reuniu diversos caminhoneiros. Após isso, um grupo seguiu em "cortejo" até a sede do Setcern, no Alecrim.

Os trabalhadores seguem mobilizados em frente ao Sindicato patronal, mas até o momento, nenhum representante do Setcern recebeu a categoria. A reportagem pediu um posicionamento do Sindicato das Empresas, mas não houve retorno até o momento. No sábado (23), o Sindicato publicou no Instagram que estava "atento" ao movimento. Além do RN, de acordo com o Sintrocern, foram registradas paralisações temporárias da categoria em estados como Ceará e Paraíba como forma de apoio aos trabalhadores do RN.

Reajuste


A categoria optou pelo movimento após audiência de conciliação realizada na última quinta-feira (21) entre motoristas e empresas de transporte de cargas realizada no Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região (TRT-RN) e conduzida pela desembargadora Isaura Maria Barbalho Simonetti, vice-presidente do TRT-RN. Nas negociações, o setor patronal apresentou inicialmente proposta de reajuste salarial de 4,11%, enquanto os trabalhadores reivindicavam aumento de 16%.

Após mediação, os caminhoneiros aceitaram reduzir a proposta para 7%, mantendo aberta a possibilidade de discutir posteriormente outras cláusulas da convenção coletiva. No entanto, os representantes das empresas afirmaram que precisam de cerca de 20 dias para avaliar o novo percentual e consultar as transportadoras em assembleia. Diante do impasse, o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Cargas no Estado do Rio Grande do Norte (Sintrocern) programou o início da greve a partir para esta segunda-feira.

O TRT-RN, por sua vez, determinou a manutenção mínima de 40% dos serviços de transporte de cargas, considerada atividade essencial. Carga viva, insumos hospitalares, medicamentos e oxigênio possuem trânsito livre e não entram nesse cômputo. A fixação do teto mínimo de 40% e o trânsito livre para itens críticos (saúde e agropecuária) buscam reduzir o desabastecimento imediato de hospitais e o perecimento de animais, enquanto o impasse de 20 dias solicitado pelas empresas indica a possibilidade de uma greve prolongada caso não haja nova intervenção judicial.

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