RN ARRECADA R$ 8,3 MILHÕES COM ROYALTIES DA MINERAÇÃO; SÓ CURRAIS NOVOS CONCENTRA R$ 6,9 MILHÕES


O município de Currais Novos foi o responsável por 83,7% do valor arrecadado pelo Rio Grande do Norte via Compensação Financeira pela Exploração Mineral (CFEM), os chamados royalties da mineração, de janeiro a abril deste ano. De acordo com dados da Agência Nacional de Mineração (ANM), do total de R$ 8,3 milhões gerado em receita pelo Estado, o município responde por R$ 6,9 milhões.

O valor nos primeiros quatro meses deste ano já equivale a 89,2% do valor arrecadado em royalties por Currais Novos em 2025, correspondente a R$ 7,8 milhões. Neste ano, o levantamento aponta que a exploração do ouro puxou a receita gerada pelo município, resultando em R$ 6,6 milhões em royalties, seguido pelo minério de tungstênio (R$ 299,8 mil) e o granito (R$ 34,2 mil).

Na avaliação do titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Turismo de Currais Novos, David Narwith, o resultado demonstra o papel histórico da mineração para o desenvolvimento local. “Receber o maior volume de repasses do Rio Grande do Norte demonstra a relevância da atividade mineral local, a força do nosso potencial geológico e a confiança que as empresas têm depositado em nossa cidade”, destaca.

O secretário esclarece que a arrecadação tem permitido a ampliação da capacidade de investimento de Currais Novos em áreas essenciais, como o fortalecimento de serviços públicos, além de melhorar o planejamento da cidade.“Nós entendemos que a mineração gera riqueza, emprego, movimenta a economia local e fortalece diversos setores”, completa.

David Narwith reconhece, por outro lado, que o maior desafio do município tem sido gerar resultados duradouros a partir da riqueza da mineração. Na visão dele, o momento atual tem demonstrado a necessidade de construção de benefícios permanentes por meio de investimentos estruturantes, qualificação profissional, infraestrutura, diversificação econômica e melhoria da qualidade de vida.

Para o especialista em finanças do escritório regional do Sebrae, Sheyson Medeiros, o momento representa uma oportunidade histórica de planejamento e desenvolvimento sustentável. “Vivemos um novo momento da nossa economia e esse momento pode ser muito positivo para o nosso futuro, especialmente se pensarmos esses recursos como uma espécie de poupança estratégica (fundo soberano), semelhante ao que fizeram países da Península Arábica e Nórdicos ao transformar riquezas naturais em investimentos estruturantes.

Currais Novos tem a oportunidade de planejar o amanhã, diversificar sua economia, fortalecer o empreendedorismo, investir em inovação, qualificação profissional e preparar as próximas gerações para um novo ciclo de desenvolvimento que já chegou”, destaca.

De acordo com o presidente do Sindicato da Indústria da Extração de Metais Básicos e de Minerais Não Metálicos do Rio Grande do Norte (Sindminerais/RN), Mário Tavares, o resultado na receita gerada na cidade seridoense pode ser explicado por dois fatores: o aumento progressivo na produção da mineradora Aura Minerals e a exploração de tungstênio.

Em relação ao tungstênio, o presidente lembra que o metal extraído da xelita vem despertando um interesse global em razão da sua relevância na produção de armamentos militares. “O mundo todo está correndo atrás do tungstênio. Com essa [constância] na produção e venda, temos um aumento espetacular na nossa mineração”, completa Mário Tavares.

Sobre a exploração realizada pela Aura Minerals, Mário Tavares reforça que a empresa deve continuar mantendo um ritmo de crescimento na produção até outubro/novembro para chegar ao seu planejamento inicial, quando os números devem começar a se estabilizar.

A mineradora oficializou a exploração comercial de ouro em Currais Novos em outubro de 2025, dentro do projeto Aura Borborema. Em fato relevante publicado no dia 26 de fevereiro, a empresa divulgou ter celebrado um acordo junto ao Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) para a realocação de um trecho da BR-226, que atravessa parte da Mina Borborema.

De acordo com o documento, a estimativa é que a realocação amplie em 670 mil onças de ouro a base de reservas minerais da empresa no Estado, permitindo que a Aura alcance uma produção de aproximadamente 1,5 milhão de onças de ouro durante os 20 anos e 5 meses de vida útil da mina, 82% acima do estimado anteriormente.

Em todo o Rio Grande do Norte, o ouro e o tungstênio também respondem pela maior fatia de recolhimento via CFEM. Além de Currais Novos, estão entre os municípios com os maiores volumes arrecadados em royalties Parnamirim (R$ 301.119), Baraúna (R$ 201.458) e João Câmara (R$ 109.427).

TRIBUNA DO NORTE