ESTUDANTE É AGREDIDO EM ATO PRÓ-FLÁVIO COM DEPUTADO BOLSONARISTA NA UFRN
Apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) agrediram um estudante durante uma manifestação com a presença do deputado federal General Girão (PL) na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal, nesta segunda-feira (19). O episódio ocorreu no Setor IV do campus central, onde um portão também foi danificado durante o confronto entre bolsonaristas e estudantes contrários ao ato.
O professor Daniel Menezes, do Departamento de Ciências Sociais da UFRN, denunciou que um estudante de Jornalismo continuou sendo agredido mesmo depois de cair. O docente divulgou uma gravação da confusão junto ao portão, com pessoas dos dois grupos próximas à estrutura.
Em outro registro divulgado pelo professor, um jovem mostra ferimentos na boca e sangue no dedo enquanto pessoas ao redor denunciam a violência. Segundo Menezes, o estudante teve um dente quebrado durante as agressões.
O docente também relatou ameaças contra os estudantes: “Os bolsonaristas gritavam: ‘vai tomar uma bala’”. A denúncia acompanha sua publicação sobre o ataque e os danos ao portão da universidade.
As imagens da confusão mostram manifestantes separados pelo portão, que é pressionado e sacudido durante a discussão. A estrutura foi danificada no confronto. Menezes atribuiu a depredação aos bolsonaristas e publicou outra gravação da movimentação junto à entrada do setor.
Intitulada “Vire à direita: UFRN anti-Lula”, a manifestação reuniu um carro de som e lideranças políticas. Estudantes contrários ao ato se mobilizaram no mesmo ponto. A Tribuna do Norte também registrou que um jovem ficou ferido e teve os óculos quebrados durante o tumulto.
Além de General Girão, participaram a vereadora de Natal Camila Araújo (PL) e o presidente estadual do Novo, Renato Cunha Lima. A mobilização contou com bandeiras e uma faixa com a inscrição “Fora Lula”, em meio às atividades acadêmicas no campus.
Menezes divulgou ainda um vídeo de Girão e acompanhantes no local. Segundo o professor, o deputado e o presidente estadual do Novo entraram na universidade acompanhados de seguranças armados para a manifestação eleitoral.
Durante o ato, Girão defendeu que o espaço poderia ser ocupado por grupos de diferentes posições políticas. “Esse ambiente aqui é tanto da direita quanto da esquerda. Vocês não podem se apossar dele”, afirmou, em declaração reproduzida pelo Blog do BG.
O barulho também prejudicou as atividades acadêmicas, conforme denúncia de Menezes. “Professores tiveram de cancelar aulas por causa de carros de som com funk no volume máximo, ao lado dos setores de aulas”, afirmou o docente.
Um vídeo identificado como Medicina com Lula mostra um veículo com equipamentos de som e adesivos da campanha de Flávio Bolsonaro. A gravação denuncia interferência nas aulas, além de xingamentos e ofensas contra estudantes.
Uefy, que acompanhou a movimentação no campus, relatou que a manifestação começou às 16h, com carro de som e boneco inflável. Ao passar pelo local depois das 17h, afirmou não ter visto agentes da segurança universitária acompanhando os grupos ou tomando providências diante da tensão.
Segundo seu relato, o equipamento de som estava a menos de 100 metros de um bloco de aulas e interferia nas atividades acadêmicas. Às 17h25, antes das agressões, Uefy já havia alertado para o risco de agravamento da situação: “Algo muito grave pode acontecer no setor 4 da UFRN e não há nenhum vestígio de segurança no local”.
Após o confronto físico, Uefy registrou a chegada de policiais ao campus em um vídeo publicado às 17h48. Às 18h, informou que os grupos estavam afastados e relatou a presença da Polícia Militar, da Polícia Federal, da segurança universitária e de representantes da Justiça Eleitoral.
O Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte informou à Tribuna do Norte que enviou uma equipe ao campus após receber denúncias pelo aplicativo Pardal. As comunicações apontavam possível propaganda eleitoral irregular, e a equipe foi ao local para apurar a situação.
