SESAP ALERTA PARA CONSUMO DE PEIXES APÓS NOVO CASO DE INTOXICAÇÃO POR CIGUATERA NO RN


A Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap) confirmou cinco casos de intoxicação por ciguatera no início desta semana, envolvendo pessoas de uma mesma família, em Natal. A doença é causada pelo consumo de peixes que vivem em áreas de corais e recifes contaminados por ciguatoxina.


A família havia comprado o peixe, da espécie “bicuda”, em uma feira livre do bairro Alecrim, na capital. Após o consumo durante o almoço do domingo (26), os primeiros sintomas começaram a surgir. Segundo reportagem do G1 RN, três pessoas foram internadas, sendo duas delas encaminhadas posteriormente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Os principais sinais e sintomas aparecem entre 30 minutos e 24 horas após a ingestão do pescado contaminado, caracterizados por: dor abdominal, náuseas, vômitos, diarreia, dores de cabeça, cãibras, coceira intensa, fraqueza muscular, visão turva e gosto metálico na boca, podendo persistir por semanas ou meses.

“A ciguatoxina é produzida por uma microalga, que cresce sobre outras estruturas, como corais mortos, grãos de areia e outras macroalgas. Um peixe herbívoro se alimenta dessas algas, e, em seguida, um peixe carnívoro maior consome vários peixes herbívoros, fazendo com que a toxina se acumule nos tecidos. Quanto maior e mais carnívoro o peixe, maior a probabilidade de intoxicação ou de ele estar contaminado com a toxina”, explicou Cristiano Albuquerque, professor do curso de Engenharia de Pesca da Ufersa.

Na série histórica entre 2022 e 2025, foram registrados surtos e casos isolados envolvendo diferentes espécies de peixes, com destaque para barracuda (bicuda), cioba, guarajuba, arabaiana e dourado.

De acordo com a Nota Técnica da Sesap, as principais recomendações à população são: procurar imediatamente os serviços de saúde diante de sintomas compatíveis, informando o consumo de pescado nas últimas 48 horas; identificar a espécie consumida e preservar sobras do pescado, acondicionadas e congeladas, para posterior coleta pela Vigilância Sanitária; e evitar o consumo de pescados associados a relatos de intoxicação por Ciguatera, especialmente aqueles de procedência desconhecida.

“O que a população e os pescadores podem fazer para minimizar esse risco é optar por peixes menores. Peixes como a barracuda, acima de 2 ou 3 quilos, devem ser evitados. Ao escolher peixes menores, o risco tende a ser reduzido”, afirmou.

Com esses novos registros, o Rio Grande do Norte chega a 115 casos de intoxicação por ciguatera.