ATLAS APONTA BAIXA MOBILIDADE SOCIAL NO RN E ESTIMA CHANCE DE 1,38% DE SE CHEGAR AOS 10% MAIS RICOS


Uma pessoa nascida no Rio Grande do Norte tem 1,38% de probabilidade de, quando adulto, estar entre os 10% mais ricos da população. Enquanto a chance de fazer parte da metade mais pobre é de 78,92%. Os dados constam no Atlas da Mobilidade Social, plataforma que combina dados de milhões de brasileiros para estimar a mobilidade intergeracional no Brasil.

Em relação aos outros estados, o Rio Grande do Norte aparece na oitava posição entre as unidades da federação com menor probabilidade de uma pessoa nascida no território chegar aos 10% mais ricos. Alagoas apresenta o menor percentual, com 0,98%. Já o Distrito Federal lidera, com 3,06%, seguido do Mato Grosso do Sul (2,92%) e do Rio Grande do Sul (2,86%).

O atlas também reúne outros indicadores, como educação.No Rio Grande do Norte, a estimativa é de que 50,77% das pessoas se formem no ensino médio e 2,2% concluam o ensino superior.

O Atlas da Mobilidade Social é uma parceria entre o Instituto Mobilidade e Desenvolvimento Social (IMDS) e o Prospera Lab, grupo de pesquisa que estuda temas sociais e políticas públicas no Brasil, em colaboração com universidades e instituições brasileiras e estrangeiras.

O levantamento aponta que o Brasil é marcado por baixa mobilidade social e caracterizado por elevados patamares de pobreza e grande concentração de renda. Com base nisso, o estudo aponta que a superação desse quadro necessariamente passa pela compreensão da dinâmica da mobilidade social.
 
Metodologia

A plataforma utiliza registros administrativos da Receita Federal (como declarações de Imposto de Renda entre 2006 e 2019, e dados do Cadastro de Pessoas Físicas), do Ministério do Trabalho e Emprego (Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 1985 a 2019), e do Ministério do Desenvolvimento Social (Cadastro Único e Bolsa Família, de 2011 a 2019). Também são utilizados dados de pesquisas domiciliares do IBGE, como PNAD, PNAD Contínua e Censo Demográfico, entre 1990 e 2019.

A partir dessas informações, o estudo constrói estimativas de renda formal e informal e mensura resultados relacionados à educação e à fecundidade.

As estimativas apresentadas são baseadas em uma amostra representativa da população adulta nascida entre 1983 e 1990, com aproximadamente 7 milhões de indivíduos. A amostra foi construída a partir do cruzamento de informações dos indivíduos com dados de seus pais presentes nos registros administrativos.

"A escolha de trabalhar com as coortes entre 1983 e 1990 se justifica por dois motivos. Primeiro, o tamanho e a representatividade da nossa amostra são maximizados nesse período. Segundo, essa amostra nos permite calcular tanto a renda dos pais quanto a dos filhos, o que é essencial para estimativas de mobilidade intergeracional de renda. Mais detalhes sobre a construção da amostra podem ser encontrados na Seção 4.1 e no Apêndice A do artigo", diz o Atlas.

Ranking dos estados com maior probabilidade de, quando adulto, estar entre os 10% mais ricos:

1 - Distrito Federal: 3,0605
2 - Mato Grosso do Sul: 2,9177
3 - Rio Grande do Sul: 2,8604
4 - Mato Grosso: 2,8412
5 - Goiás: 2,8052
6 - Santa Catarina: 2,7603
7 - Paraná: 2,5465
8 - Minas Gerais: 2,4518
9 - São Paulo: 2,1899
10 - Roraima: 2,0877
11 - Espírito Santo: 2,0573
12 - Tocantins: 1,8014
13 - Rio de Janeiro: 1,7835
14 - Rondônia: 1,7805
15 - Acre: 1,7009
16 - Amapá: 1,5974
17 - Piauí: 1,4859
18 - Ceará: 1,4383
19 - Bahia: 1,3937
20 - Rio Grande do Norte: 1,3845
21 - Pernambuco: 1,3631
22 - Paraíba: 1,3220
23 - Maranhão: 1,3215
24 - Sergipe: 1,2078
25 - Amazonas: 1,1463
26 - Pará: 1,1204
27 - Alagoas: 0,9829

Imds

O Imds é uma plataforma para delinear, testar, propor, divulgar e acompanhar a execução de políticas públicas de impacto em mobilidade social. Seus parceiros são pesquisadores e gestores públicos e representantes do terceiro setor, interessados em soluções fundamentadas no método científico para problemas sociais nas suas respectivas comunidades. Por meio de propostas fundamentadas no método científico e avaliadas por um comitê técnico, o Imds atua desde a identificação de temas relevantes até a gestão do conhecimento. Sem filiação político-partidária, o instituto se propõe a unir academia e administradores em torno de projetos de impacto duradouro no bem-estar dos cidadãos atendidos.

Prospera Lab

O Prospera Lab é um grupo de pesquisa que estuda temas sociais e políticas públicas no Brasil, em colaboração com diversas universidades e instituições no Brasil e no exterior. Reunindo professores, pesquisadores e estudantes, o Prospera desenvolve projetos que utilizam grandes bases de dados — como informações sobre educação, saúde, justiça, trabalho e programas sociais — para gerar evidências que ajudem a melhorar políticas públicas e ampliar oportunidades no país. Seu objetivo é gerar conhecimento e aproximar a pesquisa acadêmica da prática, de forma a apoiar gestores e a sociedade na construção de soluções para desafios centrais do desenvolvimento brasileiro.