CAFÉ, CARNE E FRANGO: PREÇOS DEVEM CONTINUAR EM ALTA

 


A inflação dos alimentos e bebidas acumulou variação positiva de 7,25% no período encerrado em janeiro passado, acima da inflação geral, que fechou o recorte em 4,56%. Dentre os vilões estão os preços de itens básicos da mesa dos brasileiros, como o café (com alta acumulada de 50,35%), seguido pelas carnes (elevação de 21,17%), azeite (aumento de 17,24%), frango (+10,32%), além de aves e ovos (acumulado de 7,84% em 12 meses). O cenário de alta é motivo de bastante insatisfação por parte dos consumidores e deve ser mantido ao longo do ano, de acordo com o economista Emanoel Márcio Nunes. Os valores são calculados pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPCA).

Segundo o especialista, a disparada do dólar, as questões climáticas e a demanda internacional por alguns desses produtos, são as principais causas para os aumentos registrados. Nunes, que é professor coordenador do Programa de Pós-graduação em Economia da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), explica que o incremento do consumo no mercado brasileiro também afeta significativamente os preços. “É o que tem acontecido com o café. Os chineses têm estruturado cafeterias pelo País para fortalecer o consumo, o que faz com que a expectativa de preços por parte dos produtores seja de aumento”, aponta.
 
“Da mesma maneira, o café é afetado diretamente pela questão climática, com secas nas regiões produtoras, inclusive em áreas de fora, como o Vietnã e a Costa do Marfim, o que resulta em redução de oferta de importação para o nosso mercado. Some-se a isso, o dólar alto, que faz com que os produtores brasileiros consigam maior receita vendendo para fora. Isso torna o produto escasso internamente. Com uma quantidade menor, o preço tende a subir para a população”, acrescenta Emanoel. A carne e o frango seguem panorama parecido, embora, no caso do último item, haja um fator a mais.

Os Estados Unidos, de acordo com Nunes, sofreram uma epidemia de gripe aviária que dizimou grande parte das aves do País. Por consequência, a produção foi fortemente reduzida. “Com isso, os americanos passaram a comprar o ovo brasileiro – mais uma vez repito, o produtor daqui prefere exportar, então, o produto fica mais caro no mercado nacional”, afirma o economista.

Além disso, os preços são afetados pela mudança de consumo, que costuma ser provocada pela elevação de um produto inicial. “Primeiro, as pessoas trocaram a carne pelo frango, e o preço desta última proteína subiu. Então, veio a substituição por ovo, fazendo com que este item, tendo aumento de consumo, registrasse alta de preços também”, detalha o especialista.

Diante do histórico, avalia o professor, a inflação dos alimentos deve permanecer. “Com o dólar alto e sem providências do governo para baixá-lo, os produtores vão continuar vendendo nossos alimentos, tornando os itens mais escassos e caros internamente”, avalia. Um das medidas que poderiam ser adotadas para minimizar os impactos, segundo o economista, esbarra exatamente na escassez de alimentos.

“Os estoques foram uma realidade no Brasil desde o período militar – o governo compra o excedente, armazena e distribui nas prateleiras quando o produto está em falta no mercado. Só que agora, com a demanda externa, todos os produtos estão sendo vendidos para fora”, diz Nunes.

Sem perspectivas de visualizar algum alívio no bolso, os consumidores se esforçam para encontrar produtos mais em conta. “Café, carne e leite. Está tudo caro. Estou desempregado, recebo apenas um auxílio do governo (de R$ 600), então, veja só como é difícil para mim fazer as compras”, conta Roberto Pires. A autônoma Edna Conceição afirma que o jeito é pesquisar. “Vou a vários mercadinhos e supermercados e compro no estabelecimento que está mais barato”, conta a autônoma.

Alta dos alimentos

Inflação dos alimentos em 12 meses

 
Café: 50,35%
Carne: 21,17%
Azeite: 17,24%
Frango: 10,32%
Aves e ovos: 7,84%

Fonte: IBGE