EMPARN VÊ CHANCE DE RESERVATÓRIOS SANGRAREM COM CHUVAS DO TRIMESTRE


A previsão de chuvas dentro da média histórica para o próximo trimestre no Rio Grande do Norte deve favorecer a sangria dos reservatórios do estado. De acordo com a Empresa de Pesquisa Agropecuária do Rio Grande do Norte (Emparn), o volume de água armazenado no RN pode alcançar entre 75% e 80% da capacidade total do estado. Atualmente, o índice está na faixa de 60%, o que corresponde a um aumento de dez pontos percentuais em comparação ao mesmo período do ano passado. Com isso, a possibilidade de sangria em algumas barragens, como a de Santa Cruz e até do Açude Gargalheiras, é real, dependendo do comportamento de outros açudes.


A apresentação da “Análise e previsão climática para o Nordeste brasileiro no período de março a maio de 2025”, feita nesta quarta-feira (26) pelo meteorologista Gilmar Bristot, indicou que os fenômenos meteorológicos El Niño e La Niña não deverão influenciar o clima dos próximos meses. Como a temperatura do oceano Atlântico, principal influenciador das chuvas na região, está um pouco menor, as precipitações devem ocorrer dentro da normalidade, com um volume mínimo de 433,2 milímetros no estado, inferior ao registrado no ano passado.

Bristot explicou que a recuperação dos reservatórios será impulsionada pelas precipitações previstas para os meses de março, abril e maio. “No ano passado, tivemos uma recuperação muito interessante, com os volumes superando 70%. Com as chuvas previstas para este trimestre, esse percentual deverá aumentar, e podemos ter a sangria de alguns açudes na região Oeste e no Seridó, como a Passagem das Traíras, o açude de Parelhas e o Gargalheiras”, afirmou.

O fenômeno ocorre porque os grandes reservatórios da região, como os de Pau dos Ferros e Encanto, influenciam na recarga de outros açudes menores. “Se esses reservatórios passarem a verter água, a tendência é que ela seja drenada para o açude Santa Cruz, aumentando a chance de ele sangrar”, detalhou Bristot.

Segundo o relatório do Instituto de Gestão das Águas do Estado (Igarn), açudes, barragens e outros tipos de reservatórios de água do estado já registraram neste mês uma ocupação de 60,42% da capacidade de armazenamento. O percentual representa 2,747 bilhões de metros cúbicos de água. Na mesma data em 2024, as reservas hídricas estavam com 2,104 bilhões de metros cúbicos, correspondendo a 49,09% de sua capacidade.

A barragem Marechal Dutra, popularmente conhecida como Gargalheiras, acumula 32.981.031 m³, o que corresponde a 74,25% de sua capacidade total, enquanto o maior manancial do estado, a barragem Armando Ribeiro Gonçalves registrou 65,31%, ou seja, 1.549.813.704 m³. O segundo maior reservatório do RN, Santa Cruz do Apodi, chegou a 417.297.000 m³, correspondendo a 69,58% de sua capacidade total.

Carnaval molhado

Para o próximo trimestre, a Emparn prevê chuvas dentro da média, com possibilidade de precipitações fortes em algumas localidades. Os foliões devem se preparar para um Carnaval molhado, com chuvas tanto no litoral quanto no interior. “A tendência que os modelos indicam é que, a partir de sexta-feira, devemos ter muita chuva. No interior, as precipitações acontecem mais no período da tarde e início da noite, podendo vir acompanhadas de trovoadas, descargas elétricas e ventos mais fortes. Já no litoral, as chuvas deverão ocorrer mais no período noturno e início da manhã”, afirmou Gilmar Bristot.

A previsão para os próximos três meses é de que as precipitações no interior devem variar entre 400 e 500 milímetros, enquanto a região Agreste, que historicamente recebe menos chuva, pode registrar volumes entre 300 e 350 milímetros. Já na região central, os acumulados devem ficar entre 350 e 400 milímetros. No litoral, as chuvas tendem a ser mais expressivas devido à influência dos sistemas meteorológicos que atuam no período, especialmente em abril e maio.

Bristot destacou que o volume de chuvas previsto para 2025 será menor do que o registrado no ano anterior, quando a média no estado ultrapassou os 900 milímetros. “Ano passado, as chuvas foram consequência do oceano Atlântico estar muito quente, favorecendo a umidade. Este ano, como o Atlântico não está tão aquecido, esperamos um pouco menos de chuva”, disse.

O meteorologista explica que o comportamento dos oceanos Atlântico e Pacífico será determinante para o volume de chuvas no estado. “No oceano Pacífico, temos uma La Niña fraca. O Atlântico Sul está ficando mais quente que o Atlântico Norte. Essa condição nos dá uma garantia de que teremos chuvas no interior do estado e no litoral também, próximas da normalidade”, detalhou.

A Defesa Civil do Rio Grande do Norte informou que está monitorando a previsão para o Carnaval e reforçou que estará atenta a eventuais alertas meteorológicos. “A previsão da Emparn indica chuvas no período, e a Defesa Civil Estadual está em constante monitoramento, consultando os sites oficiais e acompanhando os avisos dos órgãos competentes. Caso necessário, acionaremos os planos de contingência municipais e emitiremos alertas para a população”, explicou o tenente-coronel Alexandre Fonseca, coordenador da Defesa Civil estadual.

Diante da previsão climática, a orientação da Emater/RN é que os agricultores iniciem o plantio logo após o Carnaval. “As sementes de milho, feijão e sorgo já foram entregues, começando por Mossoró e avançando para outras regiões. De acordo com a previsão, essas três culturas estão propícias para o plantio”, afirmou Cícero Figueiredo, diretor técnico da instituição.