INVESTIGAÇÃO PIX, CAMPANHA E CONTRATO MILIONÁRIO ENTRAM NA MIRA DA JUSTIÇA ELEITORAL EM CANGUARETAMA; ENTENDA


A Justiça Eleitoral investiga suspeitas de uso irregular de recursos durante a campanha de 2024 em Canguaretama, após identificar movimentações financeiras via Pix e a possível ligação de um doador a contratos que somam cerca de R$ 4,9 milhões na atual gestão municipal.

De acordo com a Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE), estão sob análise indícios de abuso de poder econômico e possível arrecadação irregular de recursos durante o período eleitoral. Segundo os autos, valores teriam circulado fora da conta oficial de campanha.

A investigação cita movimentações financeiras vinculadas a uma conta ligada a um representante de empresa do setor de eventos, com registros de transferências em datas próximas à eleição. Segundo a apuração, há indícios de pagamentos que não teriam sido declarados na prestação de contas.

Ainda conforme o processo, a quebra de sigilo bancário identificou transferências envolvendo pessoas ligadas à gestão municipal e ao grupo político investigado, incluindo secretários e coordenadores. Parte dos valores teria sido movimentada por meio de Pix.

Outro ponto analisado envolve contratos firmados após a eleição. De acordo com os autos, um dos citados teria recebido cerca de R$ 720 mil por meio de dispensa de licitação em janeiro de 2025. Já uma empresa mencionada na investigação soma aproximadamente R$ 4,9 milhões em contratos e empenhos na atual gestão.

Os autos também apontam a circulação de uma lista informal de arrecadação durante a campanha, compartilhada por aplicativos de mensagem, com valores e chave Pix vinculada ao nome investigado. A Justiça apura se esses recursos teriam sido utilizados para custear atividades eleitorais.

As defesas apresentam versões divergentes. Parte dos investigados afirma que os valores eram doações voluntárias para eventos e confraternizações. Outros alegam que não houve irregularidade na estrutura financeira da campanha.

O Ministério Público Eleitoral analisa o conjunto de provas e depoimentos para decidir se há elementos suficientes para eventual cassação de mandato ou declaração de inelegibilidade dos envolvidos. O caso segue em tramitação.