NENHUMA CIDADE EVOLUI QUANDO A CÂMARA MUNICIPAL APENAS CONCORDA
Existe uma diferença enorme entre governabilidade e submissão. Governabilidade acontece quando os poderes trabalham em harmonia pelo bem da população. Submissão acontece quando a Câmara Municipal deixa de cumprir seu papel e passa a funcionar apenas como um departamento da Prefeitura.
Nenhum vereador foi eleito para levantar a mão automaticamente, concordar com tudo e evitar qualquer questionamento. O mandato popular existe para fiscalizar, cobrar explicações, exigir transparência e defender os interesses da sociedade.
Quando uma Câmara abre mão dessa responsabilidade, quem perde não é a oposição. Quem perde é o cidadão.
É justamente nos momentos de discordância que a democracia mostra sua força. O debate sério evita erros, corrige rumos e impede que decisões importantes sejam tomadas sem a participação da sociedade.
Uma cidade não cresce porque seus vereadores concordam com tudo. Cresce quando existem vozes dispostas a perguntar, fiscalizar e cobrar resultados.
Projetos públicos não devem ter medo da fiscalização.
Quem administra corretamente não teme perguntas.
Não teme transparência. Não teme prestação de contas.
Ao longo da história, os maiores avanços dos municípios nasceram do debate, da fiscalização e da coragem de quem se recusou a ser apenas espectador.
Aplauso fácil nunca construiu cidade forte.
O silêncio diante dos problemas nunca trouxe desenvolvimento.
E a ausência de fiscalização nunca foi sinônimo de boa gestão.
Porque uma Câmara forte não atrapalha o Executivo.
Uma Câmara forte protege a população.
E cidade onde ninguém questiona, ninguém fiscaliza e ninguém cobra, corre o risco de deixar de ser governada para simplesmente ser administrada sem contraditório.
A democracia não precisa de unanimidade. Precisa de coragem.
Por Douglas Mamedi
