POLÍTICOS QUE VOTAM IMPEACHMENT SÃO ACUSADOS DE MAIS CORRUPÇÃO QUE DILMA, DIZ JORNAL AMERICANO
Dentre
os 513 deputados da Câmara, segundo a Transparência Brasil, 303 são
investigados por algum crime. No Senado, o número também ultrapassa os
50%: 49 dos 81 senadores estão envolvidos em investigações.
A crise política brasileira continua
atraindo as atenções da imprensa internacional. Nesta segunda-feira
(28), o jornal americano “Los Angeles Times” divulgou um levantamento
feito pela ONG Transparência Brasil sobre os políticos que estão
incumbidos de analisar o pedido de impeachment da presidente Dilma
Rousseff. No título da reportagem, a publicação diz: “Os políticos que
votam o impeachment da presidente do Brasil são acusados de mais
corrupção do que ela”.
Ao longo do texto, o jornal cita números
pesquisados pela ONG sobre os integrantes da Comissão Especial do
Impeachment, formada na Câmara para emitir um parecer sobre o pedido de
afastamento da petista, e o Congresso como um todo.
Segundo a Transparência Brasil, dos 65
membros da comissão –formada por deputados de partidos que apoiam o
governo, da oposição e dos chamados independentes–, 37 enfrentam
acusações de corrupção ou outros “crimes graves”, conforme cita a
publicação americana.
“Cinco membros da comissão são acusados
de lavagem de dinheiro, outros seis de conspiração e 19 são investigados
por irregularidades nas contas; 33 são acusados ou de corrupção ou de
improbidade administrativa; ao todo, 37 membros foram acusados, alguns
deles de crimes múltiplos”, afirma.
O “LA Times” destaca ainda a presença,
no colegiado, de Paulo Maluf (PP-SP), ex-prefeito de São Paulo,
afirmando que ele é “procurado pela Interpol e que um tribunal de Paris
recentemente o condenou à revelia por lavagem de dinheiro e crime
organizado”. O parlamentar nega a prática de crimes.
Dentre os 513 deputados da Câmara,
segundo a Transparência Brasil, 303 são investigados por algum crime. No
Senado, o número também ultrapassa os 50%: 49 dos 81 senadores estão
envolvidos em investigações.
O “Los Angeles Times” pondera que os
dados fornecidos pela ONG ainda não incluem as informações mais recentes
da 26ª fase da Operação Lava Jato, deflagrada na semana passada, e que
tem como alvo executivos da Odebrecht e doleiros.
Uma
lista da construtora citando mais de 200 políticos de diversos partidos
que teriam recebido doações da empresa foi divulgada pela Polícia
Federal – e depois colocada sob sigilo pelo juiz federal Sergio Moro –,
mas ainda não há confirmação sobre a legalidade ou não desses repasses.
“Dilma Rousseff, por sua vez, nunca foi
investigada oficialmente ou acusada de corrupção, apesar de ela ter uma
impopularidade gigantesca atualmente e ser considerada culpada pela
recessão profunda em que o país se encontra”, afirma o jornal americano.
“Ela era chefe do conselho
administrativo da Petrobras quando a empresa esteve envolvida no esquema
de pagamento de propina que tem sido desvendado pela Operação Lava
Jato. Mas, para tirá-la do poder, os deputados estão se valendo da
acusação sobre a manobra orçamentária (“pedaladas fiscais”) para
esconder o tamanho do deficit do país, e eles garantem que essa é uma
ofensa passível de impeachment.”
O jornal ainda menciona as investigações
contra o vice-presidente Michel Temer (PMDB), que seria o sucessor de
Dilma em caso de impeachment. “Michel Temer é suspeito, em investigações
da Lava Jato, de estar envolvido em um esquema de compra ilegal de
etanol”, afirmou, em referência à delação do senador Delcídio do Amaral.
O peemedebista nega a prática de crimes.
Principal oponente da presidente na
última eleição e líder da oposição, Aécio Neves (PSDB) é “investigado
pela Lava Jato”, afirma o LA Times. A publicação cita
documentos obtidos durante as apurações que indicariam que a família de
Aécio manteria conta bancária secreta em Liechtenstein, também
mencionada por Delcídio. Aécio nega irregularidades. Até o momento, ele e
Temer não são oficialmente investigados pela Lava Jato.
A Comissão Especial do Impeachment
aguarda a defesa da presidente Dilma Rousseff sobre as acusações. A
partir daí, o colegiado votará e emitirá um parecer que será levado a
plenário – o que o presidente da Casa, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), planeja
fazer no próximo dia 17, um domingo.
A abertura do processo de impeachment
precisa de aprovação de dois terços dos deputados antes de ir ao Senado.
A presidente só será afastada caso a maioria simples dos senadores
também dê aval à decisão da Câmara. Caso isso ocorra, ela ficará
afastada por até 180 dias à espera do julgamento final pela Casa.
Uol