GIRÃO CRITICA INTROMISSÃO DE FILHOS NA PRESIDÊNCIA: “O PRESIDENTE É BOLSONARO”
O deputado general Girão Monteiro (PSL) criticou a
interferência dos filhos do presidente Jair Bolsonaro (PSL) em assuntos
internos da gestão federal. Em especial, o parlamentar citou a polêmica
envolvendo o vereador Carlos Bolsonaro (PSL-RJ) e Gustavo Bebianno, ministro da
Secretaria-Geral da Presidência.
“O envolvimento dos filhos na discussão é algo que Bolsonaro
tem que tratar. É um problema dele. Ele ficou três semanas fora do circuito e
os filhos apareceram de novo, mas quem é o presidente é o Bolsonaro”, disse
Girão em entrevista concedida ao programa “Jornal Agora”, apresentado pelos
jornalistas Alex Viana e Anna Karinna Castro, na Agora FM (97,9).
Bebianno, que é ex-presidente do PSL nacional, é considerado
o pivô de uma crise política gerada pela suspeita de que a sigla teria usado
candidaturas “laranjas” em Pernambuco e Minas Gerais para desviar verbas
públicas em 2018. Para rebatê-la, o ministro concedeu entrevista ao jornal “O
Globo” garantindo ter falado com Bolsonaro três vezes no dia 12 de fevereiro
para mostrar que não havia crise. O filho do presidente, Carlos, apresentou um
áudio nas redes sociais desmentindo Bebianno, que deve ter sua demissão
oficializada nesta segunda-feira, 18.
“É lamentável que isso tenha acontecido e chegado à sala do
Bolsonaro. Isso representa tudo aquilo que lutamos durante a campanha, que foi
o ‘não’ à velha política, ‘não’ às reeleições e às vendas de cargos. Lamento
que possa ter tido negociação de candidaturas de ‘laranjas’ dentro de qualquer
canto, porque só está sendo criticado o PSL. Se houve dentro do PSL, Bolsonaro
mandou o [Sergio] Moro investigar. Esse é o exemplo a se seguir”, defendeu.
Ainda comentando a polêmica, o general negou qualquer
possibilidade de que tenha havido candidaturas laranjas do PSL no Rio Grande do
Norte.
“O PSL recebeu no RN R$ 100 mil no começo da campanha. Cada
candidato homem recebeu R$ 4 mil, e as mulheres receberam R$ 6 mil. O restante
do dinheiro foi usado para pagar algumas dívidas. Candidatura laranja aqui com
esse dinheiro, tem nem cabimento. E mesmo se houvesse [dinheiro], não seria
feito, porque nós não pensamos que tenha que ser feito desse jeito”.
Girão lamentou um suposto “aparelhamento” que a esquerda
tenha feito de empresas estatais, e argumentou que os cargos devem ser ocupados
por pessoas competentes e não cotadas por partidos. “Hoje deve estar chegando o
novo presidente da Codern, almirante [Elis Treidler] Öberg. Bolsonaro convidou
a Marinha para que dentro da especialização de cada um, se buscasse a indicação
de diretores e presidentes dessas companhias-docas. As empresas estatais no RN
estão trabalhando com muita dificuldade. Os cargos e órgãos no RN têm sérias
limitações; vemos o RN parado no tempo. Tem que desaparelhar e tirar esse
pessoal incompetente. Na hora de ‘reaparelhar’, que seja como Bolsonaro faz: os
cargos de ministério não são cotas de partidos, são pessoas escolhidas com
características técnicas”, apontou o deputado.
Por fim, o general Girão não descartou deixar o PSL para
ingressar no possível retorno da União Democrática Nacional (UDN). A
possibilidade foi levantada após uma matéria do Estadão, que afirma que o “clã
Bolsonaro negocia migrar para a nova UDN”.
“Não descarto que isso esteja sendo pensado ou que possa ser
feito. Infelizmente estamos cansados de ver donos de partidos. Não aceitamos
que pessoas se intitulem donos de diretórios de municípios. Na hora que eu
identificar isso no RN, tiro a pessoa do projeto do partido”, concluiu.
