ELEITO PARA ASSUMIR, WALTER FOGE DA CADEIRA E EMPURRA CRISE PARA FÁTIMA
A decisão do vice-governador Walter Alves (MDB) de não assumir o comando do Governo do Rio Grande do Norte não é lida nos bastidores como cautela administrativa, mas como covardia política. A opinião é apontada por prefeitos do MDB que conversaram com o Diário do RN. Ao se recusar a sentar na principal cadeira do Estado quando a vacância se aproxima, Walter rompe, na prática, o acordo firmado com a governadora Fátima Bezerra (PT), com o PT e com os filiados do próprio partido que preside no momento em que aceitou ser vice-governador: o compromisso de assumir o Governo, se necessário, e sustentar politicamente a gestão até o fim do mandato.
No MDB, cresce a avaliação de que o vice-governador perdeu o momento de demonstrar liderança. “Isso é coisa de frouxo”, disparou um prefeito do partido.
Ao não assumir quando teve a chance, Walter Alves não apenas evita o Governo, expõe fragilidade, quebra um acordo político e deixa claro que prefere a segurança eleitoral ao enfrentamento do poder. O desfecho das articulações deve ocorrer até o final de janeiro, mas o rótulo já circula nos corredores do poder: o vice que não quis ser governador.
A justificativa apresentada, a frágil situação fiscal do Estado, não é novidade, tampouco surgiu às vésperas do calendário eleitoral. Walter conhecia os números, os riscos e o histórico das contas públicas quando topou compor a chapa governista. Ainda assim, agora prefere recuar, preservar o próprio projeto eleitoral à deputado estadual e deixar o desgaste integralmente nas costas da governadora.
Segundo apuração do Diário do RN, Walter reuniu dados técnicos que apontam dificuldades concretas no caixa estadual, o mais recente deles o atraso no pagamento do 13º salário do funcionalismo, que não foi quitado dentro do prazo legal. Para os críticos do PT, assumir o Governo nessas condições significaria herdar um passivo fiscal indigesto. Para aliados que confiaram em Walter, é exatamente esse o ônus de quem se dispõe a governar, e que Walter optou por não assumir.
Ao tomar a decisão, Walter evita o desgaste de comandar um Estado em crise, mantém distância da impopularidade e busca seguir com capital político intacto para a disputa eleitoral de 2026. Ao fazer isso, transfere todo o peso da crise para Fátima Bezerra, enquanto tenta se apresentar como espectador responsável, quando, na prática, abandona o posto para o qual foi eleito.
Apesar de já estar decidido que não assumirá o Governo, o vice-governador tenta evitar que o gesto seja interpretado como rompimento imediato com o PT. Interlocutores insistem que o recuo não significa, automaticamente, apoio ao prefeito de Mossoró, Allyson Bezerra (União Brasil), um dos principais nomes da oposição para 2026. Esse movimento, segundo dizem, seria outro passo.
No fim de dezembro, em Brasília, Walter se reuniu com o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e com o presidente do MDB, Baleia Rossi. O resultado foi a reafirmação do apoio do MDB no Nordeste à reeleição do presidente Lula. Em seguida, Walter e Fátima divulgaram nota conjunta empurrando para as direções nacionais dos partidos a definição do cenário local, deixando claro que, para o PT, a prioridade absoluta é a eleição de Fátima ao Senado, mais ainda que o Governo do RN.
Quanto ao apoio a Allyson Bezerra, segundo fontes ouvidas pela reportagem, o movimento dependerá de consenso interno no MDB, após consulta a prefeitos, deputados e lideranças regionais.
Nominatas
Paralelamente, Walter Alves já definiu que disputará uma vaga na Assembleia Legislativa em 2026. Após o esfacelamento de uma forte nominata que vinha sendo articulada à federal, a alteração de caminhos voltou as atenções do presidente e da sigla para a nominata à Assembleia Legislativa.
Sem ocupar a cadeira do Executivo estadual, os pretensos candidatos pelo MDB vão contar com o fundo eleitoral e estrutura garantidos por Baleia Rossi pessoalmente a Walter, recurso que será voltado para a nominata a qual Waltinho fará parte. A movimentação inclui articulações para fortalecer a nominata do MDB, com garantia de apoio do diretório nacional, tanto em termos de fundo partidário quanto de estrutura.
De acordo com as informações obtidas pelo Diário do RN, os encaminhamentos continuam com os deputados Hermano Morais (PV), Galeno Torquato (PSDB) e Nélter Queiroz (PSDB), que pretendem disputar reeleição. Mara Cavalcanti, ex-prefeita de Riachuelo, Flávio de Beroi, ex-prefeito de Nova Cruz, Clóvis Júnior, vereador mais votado de São Gonçalo do Amarante, e Ivan Baron, ativista contra o capacitismo e pelos direitos humanos, são alguns nomes já convidados e/ou confirmados para a disputa proporcional.
A informação é do Diario do RN
