POLÍCIA FEDERAL INVESTIGA 753 SUSPEITAS DE CRIMES ELEITORAIS ENTRE JANEIRO E JULHO


A Polícia Federal investiga 753 casos de crimes eleitorais registrados entre janeiro e julho de 2026, a menos de três meses das eleições. As apurações envolvem suspeitas de irregularidades como caixa dois, compra de votos, falsidade ideológica eleitoral e inscrição fraudulenta de eleitores.

Segundo a PF, os inquéritos representam uma média de quase quatro novos casos por dia. Nesta etapa, os investigadores trabalham na coleta de provas para definir se os envolvidos serão indiciados ou se os procedimentos serão arquivados.

Entre os registros, há dois Termos Circunstanciados de Ocorrência (TCOs), usados em casos de menor potencial ofensivo, e oito ocorrências com prisão em flagrante.

Os estados do Ceará e do Rio de Janeiro concentram o maior número de investigações, com 81 casos cada. Na sequência aparece o Maranhão, com 79 registros. Já o Acre não possui ocorrências contabilizadas no período, enquanto o Distrito Federal tem dois casos e Roraima, seis.

Apesar de os inquéritos tramitarem sob sigilo, decisões da Justiça Eleitoral mostram exemplos de investigações relacionadas a irregularidades em campanhas. Em maio, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve a cassação do diploma do suplente de deputado federal Heitor Freire por problemas relacionados ao uso de recursos públicos de campanha de 2022. Segundo o Ministério Público Federal, não houve comprovação da destinação de cerca de R$ 618 mil do Fundo Especial de Financiamento de Campanha.

Outro caso citado envolve o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro, condenado por abuso de poder político e econômico, uso irregular de recursos públicos e criação de programas sociais com finalidade eleitoral nas eleições de 2022. A defesa nega as acusações e afirma que não houve irregularidades.

Os dados também refletem o aumento da fiscalização em períodos eleitorais. No primeiro turno das eleições de 2022, o Ministério da Justiça registrou mais de 1.100 ocorrências de crimes eleitorais, com 205 prisões e apreensão de aproximadamente R$ 1,6 milhão em dinheiro. Entre as principais infrações estavam boca de urna, compra de votos, violação do sigilo do voto e transporte irregular de eleitores.

Um levantamento do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral aponta ainda que 22% dos brasileiros afirmam já ter recebido ofertas de dinheiro, pagamento de contas, consultas médicas ou outros benefícios em troca do voto.