RN REGISTRA AUMENTO DE 19,6% NAS MORTES VIOLENTAS, UM DOS MAIORES DO PAÍS EM 2025
O Rio Grande do Norte registrou aumento de 19,6% nas Mortes Violentas Intencionais (MVI) em 2025, na contramão do cenário nacional, que apresentou redução de 8,2% no mesmo período. O estado está entre as sete unidades da Federação que tiveram crescimento nesse tipo de ocorrência no ano passado, enquanto o Brasil alcançou o menor patamar de violência letal desde o início da série histórica, em 2012. Os dados são da 20ª edição do Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado nesta quinta-feira (23).
A alta registrada no RN ocorre em um cenário de concentração da violência letal nas regiões Norte e Nordeste. Segundo o levantamento, o Rio Grande do Norte está entre os dez estados brasileiros com as maiores taxas de Mortes Violentas Intencionais (MVI). Ao todo, sete das dez unidades da Federação com os índices mais elevados pertencem ao Nordeste.
O cenário também se reflete no sistema prisional potiguar. O número de presos no estado passou de 12.663, em 2024, para 14.234, em 2025. No mesmo período, a quantidade de vagas disponíveis caiu de 6.183 para 791, segundo os dados apresentados no Anuário.
Em outros indicadores de segurança, porém, o estado apresentou resultados positivos. Os registros de roubos e furtos de celulares recuaram 22,1% no Rio Grande do Norte em 2025, uma das maiores reduções registradas entre as unidades da Federação.
Confira o ranking dos estados que registraram aumento nas mortes violentas em 2025 em relação a 2024:
Rio Grande do Norte (19,6%)
Rondônia (7,5%)
Acre (6,3%)
Roraima (5,8%)
Distrito Federal (5,8%)
Mato Grosso do Sul (4,9%)
Rio de Janeiro (2,1%).
A categoria de MVI reúne registros de homicídio doloso, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte, mortes decorrentes de intervenções policiais e mortes de policiais, tanto durante o serviço quanto fora do horário de trabalho.
Cenário nacional
Em todo o país, foram contabilizadas 40.775 mortes violentas intencionais em 2025, contra 44.127 no ano anterior. A taxa nacional caiu de 20,6 para 19,1 casos por 100 mil habitantes, uma retração de 8,2%. Foi a primeira vez que o indicador ficou abaixo de 20 mortes por 100 mil habitantes desde que começou a ser monitorado.
A queda das mortes violentas no país foi impulsionada principalmente pela redução dos homicídios dolosos, que recuaram 10%. Também houve diminuição nos registros de latrocínio, com queda de 17%, e de lesão corporal seguida de morte, que apresentou retração de 15,2%.
Em sentido contrário, as mortes provocadas por intervenções policiais cresceram 5,4%. Os feminicídios também avançaram, com alta de 4% em relação a 2024.
O Nordeste apresentou, em 2025, a maior taxa regional, com 31,6 mortes violentas por 100 mil habitantes. Na sequência aparecem as regiões Norte, com 25,3; Centro-Oeste, com 17,3; Sudeste, com 12,6; e Sul, com 11,9. O relatório aponta que essa concentração da violência nas regiões Norte e Nordeste está relacionada a expansão de organizações criminosas e à disputa pelo controle de territórios e atividades econômicas.
