OPERÁRIOS DO RN LIDERAM RANKING NACIONAL DE RENDA EM PROFISSÕES DA INDÚSTRIA


Quando se fala em altos salários no Rio Grande do Norte, é comum que a imagem remeta a juízes, promotores, médicos ou titulares de cartório. Mas um levantamento baseado nas declarações do Imposto de Renda revela um protagonista pouco lembrado: a indústria.

Dados organizados pelo Salários do Brasil mostram que trabalhadores potiguares de duas ocupações industriais lideram o ranking nacional de renda declarada, enquanto uma terceira aparece entre as três maiores do país.

O destaque é dos operadores de instalações de produção e distribuição, que declararam renda média anual de R$ 142 mil (51% acima da média nacional, de R$ 94 mil). O Rio Grande do Norte ocupa a 1ª posição entre os estados nesse grupo profissional.

Outro primeiro lugar aparece entre os trabalhadores de reparação e manutenção, cuja renda média chegou a R$ 95 mil por ano, acima dos R$ 81 mil registrados nacionalmente. Também nesse caso, o estado lidera o ranking brasileiro.

Já entre os trabalhadores das indústrias químicas, o Rio Grande do Norte aparece na 3ª colocação nacional, com renda média anual de R$ 157 mil, cerca de 44% superior à média brasileira, de R$ 109 mil.
Um resultado que contraria a percepção sobre o estado

O levantamento chama atenção porque o Rio Grande do Norte não costuma ser associado às maiores remunerações da indústria brasileira.

Mesmo assim, em três grupos ocupacionais ligados diretamente à atividade industrial, os profissionais potiguares aparecem entre os primeiros colocados do país.

Somadas, essas ocupações reúnem mais de 7 mil declarantes no estado: são 734 operadores de instalações de produção e distribuição, 4.945 trabalhadores de reparação e manutenção e 1.447 trabalhadores das indústrias químicas.
 
Petróleo e energia podem ajudar a explicar o resultado

Embora os dados da Receita Federal não permitam identificar o setor de atuação de cada trabalhador, uma hipótese que será apurada pelo Blog do Dina é a influência da cadeia do petróleo e gás no Rio Grande do Norte.

Nos últimos anos, diversos campos maduros da Bacia Potiguar passaram da Petrobras para operadoras privadas, mantendo uma forte demanda por profissionais ligados à operação, manutenção industrial e processos produtivos.

Outro segmento que pode contribuir para esse cenário é o de energia eólica, que concentra parques e atividades industriais em diferentes regiões do estado.

Essas hipóteses, porém, ainda serão verificadas junto ao Sindicato dos Petroleiros (Sindipetro-RN), empresas do setor e especialistas da indústria antes de qualquer conclusão.
 
O que mostram os dados

Entre as três categorias analisadas:Operador de instalações de produção e distribuição: R$ 142 mil por ano, 1º lugar nacional e 734 declarantes.
Trabalhador de reparação e manutenção: R$ 95 mil por ano, 1º lugar nacional e 4.945 declarantes.
Trabalhador das indústrias químicas: R$ 157 mil por ano, 3º lugar nacional e 1.447 declarantes.

Outra reportagem da série Quanto ganha o RN mostrou que professores do ensino profissional do estado lideram o ranking nacional de renda declarada da categoria.

Os valores são a renda média anual entre os declarantes do IRPF de cada ocupação, conforme informado à Receita Federal — incluem salários, honorários, aluguéis e outras fontes, e não capturam quem é isento de declarar.