VOLUNTÁRIOS DE VACINA ‘PLACEBO’ CONTRA A COVID EM NATAL VIVEM EXPECTATIVA POR “QUEBRA DO CEGO”, E REVELAM ANGÚSTIA POR IMUNIZAÇÃO PROMETIDA


Voluntários em Natal que aplicaram a vacina da Universidade de Oxford estão revoltados com o que classificam como “quebra de acordo”, daqueles que aplicaram o teste placebo. Eles vivem a expectativa da imunização de fato, e citam frustração diante da falta de um sinal verde para a sua realização.

Segundo os voluntários desse grupo, foi prometido a “quebra do cego”, que significa o laboratório revelar quem tomou a vacina placebo, a partir do momento da disponibilidade da primeira vacina contra a covid-19 no país, independente da coronavac, Oxford, ou qualquer outra.

“Me senti literalmente usado”, disse um jovem voluntário de identidade preservada. Um outro voluntário, de idade mais avançada, disse que a “quebra do cego” só foi revelada até o momento para um grupo restrito, como profissionais de saúde e segurança.

Os voluntários da vacina contra a Covid-19 foram recrutados pelo Centro de Pesquisas Clínicas de Natal (CPClin), sede dos estudos na capital potiguar.

A pesquisa clínica da vacina de Oxford teve início no Brasil em junho. Metade dos voluntários recebeu a Chadox1 ncov-19, contra a Covid-19, e a outra metade recebeu a meningocócica ACWY, a chamada vacina de controle, um imunizante contra a meningite e placebo. Na ocasião, um sistema definiu randomicamente quem recebeu determinada vacina. Ainda sobre esse “teste”, cada participante recebeu duas doses e é acompanhado pela equipe do estudo com frequência, ao longo de um ano.

De acordo com o médico infectologista Kleber Luz, um dos coordenadores dos estudos da vacina de Oxford em Natal, está tudo dentro do cronograma. Ele procurou o Blog do BG para explicar que não existe quebra de ordem e que somente ontem foi autorizado a realizar, a partir desta quinta-feira (21), a “quebra do cego”, ou seja, revelar que tomou realmente a vacina e quem tomou placebo, para em seguida iniciar a convocação para que as pessoas possam ser vacinadas.