AS DOENÇAS OCULARES AINDA SÃO UM PROBLEMA QUE MUITOS PREFEREM NÃO VER
Um problema que boa parte das pessoas insiste em não ver. É grande a negligência do brasileiro com a própria saúde ocular. O relatório “Percepção dos cuidados e atenção com a saúde ocular da população brasileira”, realizado há dois anos pela Sociedade Brasileira de Oftalmologia (SBO), revelou que dos 2.132 entrevistados, 11,6% nunca consultaram um oftalmologista, o que evidencia a falta de cuidados com a visão. O exame ocular serve para bem mais do que determinar se é necessário usar óculos, mas também ajuda a prevenir doenças silenciosas que podem prejudicar seriamente a visão.
Segundo o oftalmologista Uchoandro Costa Uchôa, do HUOL, a negligência nos cuidados com a saúde ocular no Brasil normalmente tem as mesmas causas que o descuido com a saúde em geral: desinformação, dificuldade de acesso, fatores econômicos e alguns fatores individuais – como a conhecida negligência masculina em relação à saúde.
“A maioria das pessoas acha que o exame oftalmológico só serve para avaliar a necessidade do uso de óculos. Então, às vezes, pelo fato de nada sentir, acham que não precisam de uma avaliação oftalmológica”, afirma o médico. Na verdade, segundo ele, a refratometria (medir o grau dos óculos) é somente uma parte do exame oftalmológico. A consulta básica a um oftalmologista também inclui biomicroscopia, tonometria e fundoscopia, em que o profissional pode descobrir doenças oculares “silenciosas”, segundo Uchoandro.
Outro dado preocupante, segundo a pesquisa da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, é que 10,8% dos participantes admitiram fazer a compra de óculos sem qualquer receita de um oftalmologista. O risco maior em não se fazer uma consulta oftalmológica, segundo Uchoandro, é o de não ter uma enfermidade assintomática diagnosticada em sua fase inicial. “Algumas doenças oculares só vão causar algum sintoma em uma fase bem avançada, quando o tratamento já se tornou muito difícil”, ressalta.
Muitos problemas oculares são silenciosos no início e só apresentam sintomas quando já estão em estágio avançado. As principais enfermidades desse tipo são o glaucoma, a retinopatia diabética e o ceratocone. “Elas não causam sintomas até muito tardiamente. Inicialmente o paciente não sente nada, mas quando elas atingem um grau avançado é que as alterações surgem. Aí já pode ser tarde demais”, alerta.
Embaçamentos
Os sinais de que algo não está bem com a visão podem ser sutis. “São os pequenos embaçamentos visuais. Às vezes os pacientes percebem que estão enxergando um pouco menos por um dos olhos e não dão a devida importância. Qualquer piora na qualidade da visão deve ser investigada”, afirma. Entre os sintomas mais comuns estão a dificuldade para enxergar de perto ou de longe, visão turva ou embaçada, visão dupla, manchas escuras na visão, sensibilidade à luz, cores desbotadas, dor intensa nos olhos, vermelhidão, coceira, sensação de queimação, inchaço, olhos secos, lacrimejamento excessivo, dores de cabeça constantes.
A vida moderna também afeta a saúde dos olhos. As telas, presentes em toda vida cotidiana atual, já causam problemas específicos quando usadas em excesso. “O uso excessivo de telas pode causar vários sintomas visuais, como fadiga ocular, ressecamento dos olhos e vermelhidão ao final do dia”, explica.
O médico ressalta que há um aumento da progressão da miopia. “Isso não se deve a um efeito direto das telas, mas sim por um excesso de uso da visão de perto sem o devido descanso”, completa. Outro problema é a poluição, tanto a do ar quanto a visual. É recomendável tomar medidas para minimizar esses riscos, como fazer pausas durante o uso de telas, usar óculos escuros ao ar livre e avaliar a saúde ocular regularmente com um especialista.
A automedicação com colírios, algo tão comum entre a população em geral, também pode oferecer seus riscos. “Há risco principalmente nos colírios que contêm corticoide. Muitas vezes o quadro ocular pode piorar e caminhar para perda de visão, caso o colírio seja usado sem o devido acompanhamento com o oftalmologista”, completa.
Uchoandro ressalta que o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) recomenda que se faça uma consulta anual ao oftalmologista, mas esse prazo pode ser maior ou menor a depender da avaliação do profissional. Para pacientes que estão bem, sem histórico familiar de doença ocular, a avaliação pode ser realizada a cada dois anos. A consulta de rotina deve ser anual em adultos saudáveis, mas a frequência recomendada varia com a idade e com a saúde ocular do paciente.
Perda de visão
A perda irreversível da visão é ponto extremo da negligência com a saúde ocular e deve ser evitada – uma situação especialmente associada ao glaucoma e à degeneração macular. Uchoandro explica que glaucoma é uma doença que na maioria dos casos é assintomática no seu início. “É associado a um aumento da pressão intraocular que só é detectado durante o exame oftalmológico através da tonometria. A perda visual se inicia pela periferia, portanto o paciente não sente nada”, explica. Se não tratado adequadamente, vai ocorrendo uma atrofia progressiva e irreversível do nervo óptico, podendo levar à cegueira total.
Já a degeneração macular relacionada à idade é uma doença que acomete pessoas mais idosas. Ela afeta a mácula, que é a parte da retina responsável por nossa visão central. “O caráter familiar está muito presente nessa doença, além de ser mais agressiva em fumantes. Apesar de não causar uma cegueira total, ela pode prejudicar muito a visão central, a visão de detalhes, atrapalhando a leitura e outras atividades do cotidiano, piorando muito a qualidade de vida”, explica.
O oftalmologista enfatiza que a informação da população sobre sua visão é algo essencial, e que deveria ser mais pensado como políticas públicas e campanhas educacionais. “Programas públicos para o diagnóstico e tratamento das principais causas de cegueira como retinopatia diabética, glaucoma, catarata e degeneração macular são importantíssimos. Além disso, gostaria de chamar a atenção para a necessidade de melhorarmos a cultura de doação de córneas no nosso país”, diz.
Segundo o oftalmologista, atualmente no Brasil existe uma lista de espera de aproximadamente trinta mil pessoas que aguardam por uma cirurgia de córnea. “É importante que as pessoas digam aos seus familiares que são doadores, pois isso ajudará a melhorarmos esses números”, conclui.
Segundo o oftalmologista Uchoandro Costa Uchôa, do HUOL, a negligência nos cuidados com a saúde ocular no Brasil normalmente tem as mesmas causas que o descuido com a saúde em geral: desinformação, dificuldade de acesso, fatores econômicos e alguns fatores individuais – como a conhecida negligência masculina em relação à saúde.
“A maioria das pessoas acha que o exame oftalmológico só serve para avaliar a necessidade do uso de óculos. Então, às vezes, pelo fato de nada sentir, acham que não precisam de uma avaliação oftalmológica”, afirma o médico. Na verdade, segundo ele, a refratometria (medir o grau dos óculos) é somente uma parte do exame oftalmológico. A consulta básica a um oftalmologista também inclui biomicroscopia, tonometria e fundoscopia, em que o profissional pode descobrir doenças oculares “silenciosas”, segundo Uchoandro.
Outro dado preocupante, segundo a pesquisa da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, é que 10,8% dos participantes admitiram fazer a compra de óculos sem qualquer receita de um oftalmologista. O risco maior em não se fazer uma consulta oftalmológica, segundo Uchoandro, é o de não ter uma enfermidade assintomática diagnosticada em sua fase inicial. “Algumas doenças oculares só vão causar algum sintoma em uma fase bem avançada, quando o tratamento já se tornou muito difícil”, ressalta.
Muitos problemas oculares são silenciosos no início e só apresentam sintomas quando já estão em estágio avançado. As principais enfermidades desse tipo são o glaucoma, a retinopatia diabética e o ceratocone. “Elas não causam sintomas até muito tardiamente. Inicialmente o paciente não sente nada, mas quando elas atingem um grau avançado é que as alterações surgem. Aí já pode ser tarde demais”, alerta.
Embaçamentos
Os sinais de que algo não está bem com a visão podem ser sutis. “São os pequenos embaçamentos visuais. Às vezes os pacientes percebem que estão enxergando um pouco menos por um dos olhos e não dão a devida importância. Qualquer piora na qualidade da visão deve ser investigada”, afirma. Entre os sintomas mais comuns estão a dificuldade para enxergar de perto ou de longe, visão turva ou embaçada, visão dupla, manchas escuras na visão, sensibilidade à luz, cores desbotadas, dor intensa nos olhos, vermelhidão, coceira, sensação de queimação, inchaço, olhos secos, lacrimejamento excessivo, dores de cabeça constantes.
A vida moderna também afeta a saúde dos olhos. As telas, presentes em toda vida cotidiana atual, já causam problemas específicos quando usadas em excesso. “O uso excessivo de telas pode causar vários sintomas visuais, como fadiga ocular, ressecamento dos olhos e vermelhidão ao final do dia”, explica.
O médico ressalta que há um aumento da progressão da miopia. “Isso não se deve a um efeito direto das telas, mas sim por um excesso de uso da visão de perto sem o devido descanso”, completa. Outro problema é a poluição, tanto a do ar quanto a visual. É recomendável tomar medidas para minimizar esses riscos, como fazer pausas durante o uso de telas, usar óculos escuros ao ar livre e avaliar a saúde ocular regularmente com um especialista.
A automedicação com colírios, algo tão comum entre a população em geral, também pode oferecer seus riscos. “Há risco principalmente nos colírios que contêm corticoide. Muitas vezes o quadro ocular pode piorar e caminhar para perda de visão, caso o colírio seja usado sem o devido acompanhamento com o oftalmologista”, completa.
Uchoandro ressalta que o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) recomenda que se faça uma consulta anual ao oftalmologista, mas esse prazo pode ser maior ou menor a depender da avaliação do profissional. Para pacientes que estão bem, sem histórico familiar de doença ocular, a avaliação pode ser realizada a cada dois anos. A consulta de rotina deve ser anual em adultos saudáveis, mas a frequência recomendada varia com a idade e com a saúde ocular do paciente.
Perda de visão
A perda irreversível da visão é ponto extremo da negligência com a saúde ocular e deve ser evitada – uma situação especialmente associada ao glaucoma e à degeneração macular. Uchoandro explica que glaucoma é uma doença que na maioria dos casos é assintomática no seu início. “É associado a um aumento da pressão intraocular que só é detectado durante o exame oftalmológico através da tonometria. A perda visual se inicia pela periferia, portanto o paciente não sente nada”, explica. Se não tratado adequadamente, vai ocorrendo uma atrofia progressiva e irreversível do nervo óptico, podendo levar à cegueira total.
Já a degeneração macular relacionada à idade é uma doença que acomete pessoas mais idosas. Ela afeta a mácula, que é a parte da retina responsável por nossa visão central. “O caráter familiar está muito presente nessa doença, além de ser mais agressiva em fumantes. Apesar de não causar uma cegueira total, ela pode prejudicar muito a visão central, a visão de detalhes, atrapalhando a leitura e outras atividades do cotidiano, piorando muito a qualidade de vida”, explica.
O oftalmologista enfatiza que a informação da população sobre sua visão é algo essencial, e que deveria ser mais pensado como políticas públicas e campanhas educacionais. “Programas públicos para o diagnóstico e tratamento das principais causas de cegueira como retinopatia diabética, glaucoma, catarata e degeneração macular são importantíssimos. Além disso, gostaria de chamar a atenção para a necessidade de melhorarmos a cultura de doação de córneas no nosso país”, diz.
Segundo o oftalmologista, atualmente no Brasil existe uma lista de espera de aproximadamente trinta mil pessoas que aguardam por uma cirurgia de córnea. “É importante que as pessoas digam aos seus familiares que são doadores, pois isso ajudará a melhorarmos esses números”, conclui.
