SECRETÁRIA DE CULTURA DE NATAL É DENUNCIADA AO MP APÓS COMENTÁRIO SOBRE UFRN
A secretária municipal de Cultura de Natal, Iracy Azevedo, foi alvo de uma notícia de fato protocolada junto ao Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN) após publicar comentários irônicos sobre uma decisão da Justiça Eleitoral relacionada aos episódios de violência registrados na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), em Natal.
O procedimento, registrado sob o número 20.23.2752.0003103/2026-53, foi apresentado por Rodrigo Fiorin, egresso da universidade. A iniciativa pede esclarecimentos sobre as declarações da secretária, que também preside a Fundação Cultural Capitania das Artes (Funcarte), órgão responsável pela política cultural do município.
A denúncia questiona especialmente o comentário em que Iracy escreveu: “Somos Brasil. Somos 22. Somos família. Higiene, limpeza”. A manifestação foi publicada em uma postagem do vereador Daniel Valença (PT), que divulgou a decisão judicial envolvendo os deputados General Girão (PL-RN) e Camila Araújo (PL).
Em outro comentário, a secretária ironizou a determinação com a frase: “Kkkkkkk. Oh justiça justa! Lá só pode entrar quem é do ‘amodinho’”.
A notícia de fato pede que a manifestação seja esclarecida e questiona a “suposta conduta incompatível com os deveres funcionais e violação aos princípios da administração pública em rede social.”
Denunciante vê possível associação entre estudantes e sujeira
Em publicação nas redes sociais, Rodrigo Fiorin afirmou que decidiu procurar o Ministério Público após acompanhar os episódios de violência na UFRN, ocorridos em 19 de outubro, durante um ato de apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência da República.
“Eu sou egresso da UFRN e dia 19 eu vi a minha faculdade ser alvo de uma arruaça que contou com a participação de parlamentares eleitos, ambos do PL, partido do Flávio Bolsonaro”, relatou.
No dia seguinte, estudantes e integrantes da comunidade universitária realizaram uma mobilização em defesa da instituição. Para Fiorin, a manifestação de Iracy precisa ser explicada porque a referência a “higiene e limpeza”, no contexto de uma discussão sobre os atos na universidade, pode ser interpretada como uma associação entre estudantes e falta de higiene.
“Esse comentário da senhora foi muito problemático, para se dizer o mínimo, e a gente não pode admitir esse tipo de conduta de alguém que é pago com o nosso dinheiro, com o nosso imposto”, afirmou.
O denunciante disse considerar que a expressão pode ter um sentido discriminatório ou de desqualificação dos estudantes, embora ressalte que cabe à secretária esclarecer o que pretendia dizer.
“Eu protocolei uma notícia de fato no Ministério Público, aqui do Rio Grande do Norte, solicitando que ela se explique, que ela se justifique, que ela esclareça o que ela quis dizer com ser de família, higiene e limpeza”, declarou.
Fiorin também questiona se o comentário é compatível com os deveres de impessoalidade esperados de uma servidora pública, sobretudo quando a manifestação ocorre em um debate político envolvendo uma universidade pública.
“Então vamos esperar do Ministério Público que cobre esses esclarecimentos da senhora Iracy e que ela publicamente se retrate, independente da intenção que ela realmente tinha ao comentar um absurdo desse”, afirmou.
A apresentação da notícia de fato não significa que o Ministério Público tenha reconhecido a existência de irregularidade. Caberá ao órgão analisar o conteúdo da representação e decidir sobre eventuais providências.
Justiça restringiu uso de equipamentos de som
Os comentários de Iracy ocorreram após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) que determinou restrições ao uso de equipamentos de som por General Girão e Camila Araújo em manifestações político-eleitorais nas proximidades de instituições de ensino.
A medida estabelece distância mínima de 200 metros para o uso de alto-falantes, amplificadores, carros de som, minitrios e paredões em manifestações das quais os parlamentares participem ou às quais deem anuência. A determinação vale até o encerramento da votação do segundo turno das eleições de 2026 e prevê multa individual de R$ 15 mil em caso de descumprimento.
A decisão não proíbe manifestações políticas nas universidades. A restrição se refere aos equipamentos de amplificação sonora e busca impedir a repetição de situações que comprometam o funcionamento das instituições de ensino.
O caso está relacionado ao ato “Vire à direita: UFRN anti-Lula”, realizado no campus central da universidade em 19 de outubro. A mobilização, que reuniu apoiadores de Flávio Bolsonaro, terminou em confronto entre participantes e estudantes contrários à manifestação. Houve agressões físicas, danos ao patrimônio e interrupção de atividades acadêmicas.
A UFRN informou que o ato ocorreu sem autorização institucional e repudiou os episódios de violência. Entre os feridos está o estudante de Jornalismo Henrique Neiva, que registrou boletim de ocorrência após relatar ter sido atingido por socos, chutes e golpes com um capacete.
MPF também investiga intimidação em universidades
Os episódios registrados na UFRN integram um contexto mais amplo de apuração sobre possíveis casos de intimidação, censura e ameaças à liberdade de expressão em instituições federais de ensino do Rio Grande do Norte.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação sobre ocorrências em Natal, Mossoró e Apodi, incluindo relatos de tentativas de impedir manifestações, retirada de cartazes e faixas, incitação à violência e uso indevido de prerrogativas de autoridade.
A apuração é conduzida pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC). Os episódios de violência e danos ao patrimônio na UFRN também foram encaminhados à Procuradoria Regional Eleitoral e ao Núcleo Criminal da Procuradoria da República no estado para análise das medidas cabíveis.
A notícia de fato apresentada ao MPRN contra Iracy Azevedo é uma iniciativa distinta dessa investigação federal e se concentra nos comentários publicados pela secretária nas redes sociais.
Os comentários de Iracy ocorreram após decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Norte (TRE-RN) que determinou restrições ao uso de equipamentos de som por General Girão e Camila Araújo em manifestações político-eleitorais nas proximidades de instituições de ensino.
A medida estabelece distância mínima de 200 metros para o uso de alto-falantes, amplificadores, carros de som, minitrios e paredões em manifestações das quais os parlamentares participem ou às quais deem anuência. A determinação vale até o encerramento da votação do segundo turno das eleições de 2026 e prevê multa individual de R$ 15 mil em caso de descumprimento.
A decisão não proíbe manifestações políticas nas universidades. A restrição se refere aos equipamentos de amplificação sonora e busca impedir a repetição de situações que comprometam o funcionamento das instituições de ensino.
O caso está relacionado ao ato “Vire à direita: UFRN anti-Lula”, realizado no campus central da universidade em 19 de outubro. A mobilização, que reuniu apoiadores de Flávio Bolsonaro, terminou em confronto entre participantes e estudantes contrários à manifestação. Houve agressões físicas, danos ao patrimônio e interrupção de atividades acadêmicas.
A UFRN informou que o ato ocorreu sem autorização institucional e repudiou os episódios de violência. Entre os feridos está o estudante de Jornalismo Henrique Neiva, que registrou boletim de ocorrência após relatar ter sido atingido por socos, chutes e golpes com um capacete.
MPF também investiga intimidação em universidades
Os episódios registrados na UFRN integram um contexto mais amplo de apuração sobre possíveis casos de intimidação, censura e ameaças à liberdade de expressão em instituições federais de ensino do Rio Grande do Norte.
O Ministério Público Federal (MPF) abriu investigação sobre ocorrências em Natal, Mossoró e Apodi, incluindo relatos de tentativas de impedir manifestações, retirada de cartazes e faixas, incitação à violência e uso indevido de prerrogativas de autoridade.
A apuração é conduzida pela Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão (PRDC). Os episódios de violência e danos ao patrimônio na UFRN também foram encaminhados à Procuradoria Regional Eleitoral e ao Núcleo Criminal da Procuradoria da República no estado para análise das medidas cabíveis.
A notícia de fato apresentada ao MPRN contra Iracy Azevedo é uma iniciativa distinta dessa investigação federal e se concentra nos comentários publicados pela secretária nas redes sociais.
