GOVERNO FÁTIMA VAI DENUNCIAR AO TCE SUPOSTAS IRREGULARIDADES DA GESTÃO ROBINSON
A gestão da governadora Fátima Bezerra pretende denunciar ao
Tribunal de Contas do Estado (TCE), em fevereiro, irregularidades encontradas
no âmbito da administração pública que teriam origem no mandato do
ex-governador Robinson Faria. Um levantamento com erros da gestão passada deve
ficar pronto em menos de 15 dias e será encaminhado para análise da corte de
contas.
Segundo o controlador-geral do Estado, Pedro Lopes, o novo
governo encontrou diversas situações irregulares, entre as quais a realização
de serviços sem contrato formal ou a assinatura de contratos sem o prévio
empenho, isto é, sem a reserva dos recursos, o que pode gerar uma espécie de
“calote”.
“Nunca imaginei entrar no Estado numa situação dessa, de
serviços sem contrato. E são serviços importantes, que não podem parar. Neste
sentido, vamos até expedir uma resolução para promover a regularização desses
casos em caráter emergencial, o que a lei permite”, disse o controlador-geral,
em entrevista nesta quinta-feira, 24, ao programa “Manhã Agora”, da rádio Agora
FM (97,9).
Pedro Lopes afirmou que as irregularidades serão
encaminhadas ao TCE “por dever de ofício”. “Como órgão de controle interno do
Executivo, a Control tem suas atribuições previstas na Constituição Federal.
Quando tem acesso a informações sobre irregularidades, a Control tem o dever de
ofício de fazer a comunicação ao Tribunal de Contas, que é o órgão de controle
externo. Se não fizermos [a denúncia], sobra para o controlador. Então, vamos
fazer o nosso dever e isso será público”, completou, informando que deverá se
reunir com o conselheiro Poti Júnior, novo presidente do TCE, no dia 6 de
fevereiro, para tratar do assunto.
A Controladoria-Geral do Estado (Control) também vai
intensificar, segundo o seu diretor, a fiscalização sobre contratações do Poder
Executivo. Pedro Lopes, que é auditor fiscal de carreira, informou que a
Control vai cobrar de todos os órgãos do governo respeito ao principal de menor
preço em licitações. Para isso, será ampliada a chamada fiscalização
concomitante.
“Precisamos ter observância quanto ao preço praticado, para
que eles não fiquem acima do preço de mercado. Os contratos só poderão ser
assinados depois de um trâmite completo e de passar pela Control. Devemos
contratar no preço de mercado para evitar qualquer superfaturamento. A
população não merece pagar imposto para esse imposto ser desviado”, reforçou.
Chefe do órgão responsável pela contabilidade do Executivo,
Pedro Lopes também comentou na entrevista à Agora FM sobre o nível de
comprometimento da receita com gastos com pessoal. O controlador-geral declarou
que será “impossível” baixar o percentual da despesa com pessoal dos atuais 57%
da receita para o patamar de 49% – limite imposto pela Lei de Responsabilidade
Fiscal. Ele disse que essa é a meta do novo governo para o ano de 2020.
Mesmo assim, segundo o auditor fiscal, baixar 8 pontos
percentuais do comprometimento da receita será uma “luta hercúlea”, tendo em
vista a dificuldade de se ampliar a receita e reduzir as despesas.
Quanto ao aumento da receita, o controlador-geral assinalou
que a governadora Fátima Bezerra atribuiu à Secretaria de Tributação a missão
de combater a sonegação de impostos e a circulação de mercadorias irregulares.
Em relação à despesa, Pedro Lopes frisou a importância de conter o aumento
vegetativo da folha do funcionalismo. Ele defendeu o congelamento de salários
de faixas do serviço público e revisão dos quinquênios, para evitar demissões.
“Queremos, nos próximos 15 ou 20 dias, identificar como está
acontecendo o crescimento da folha. Estamos fazendo um estudo, inclusive junto
com a Universidade Federal do Rio Grande do Norte, para termos um diagnóstico
das verbas remuneratórias e do que de fato vem acontecendo para o aumento da
despesa com pessoal. Essa despesa não pode aumentar. A partir do diagnóstico,
vamos apresentar um projeto à governadora para estancar o aumento”, concluiu.
